DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XXVIII)

Minutos depois, Eliel procurava Tadeu para perguntar:

– O que você disse a Cibele que a deixou tão zangada?!… Ela passou por mim e entrou no castelo como uma rajada de vento. Eu tentei detê-la para que pudéssemos conversar, e o seu olhar desferiu uma farpa de ódio em meu coração.

Tadeu, com o semblante contraído, respondeu:

– Eu contei a verdade.

Tadeu surpreendeu-se ao ouvi-lo dizer:

– Você contou a ela a sua versão da verdade.

Tadeu, profundamente irritado, exclamou:

– Era só o que faltava!… Não existe essa história de minha verdade, de sua verdade!… A verdade é uma só: o seu ciúme é doentio! Você criou toda uma situação imaginária e depois começou a agir como se ela fosse real. Cibele sentiu-se confusa quando procurou nos meus olhos o que viu nos seus e não conseguiu mais encontrar. O seu disfarce, embora representasse a minha aparência, não conseguiu encobrir o seu olhar. Eram os seus olhos que ela buscava e não os meus. Você pode não ter tido a intenção de nos ferir, mas foi exatamente o que fez. Cibele não conseguirá perdoá-lo e nem a mim. Eu menti a você, e ela sabe disso porque presenciou o momento em que eu escondi a chave e a esfera dentro da fronha do meu travesseiro. Se você quiser partir, vá à minha cela e apanhe a esfera. Eu continuarei aqui, ao lado de Cibele, mesmo que ela resolva cumprir a ameaça de unir-se a Florêncio só para nos punir. Infelizmente eu não posso fazer nada a respeito, porque não é pelo meu amor que Cibele anseia.

Bebendo as gotas de sinceridade que os olhos de Tadeu desprendiam, Eliel confessou:

– Eu não sei o que fazer!… Eu me sinto impotente nesta dimensão!… Florêncio é desprovido de escrúpulo e não hesitaria em trazer Clara para esta dimensão para obrigar Cibele a permanecer aqui. Eu não sei como lidar com a situação… Como poderíamos neutralizar a ação de um ser tão desprezível?!… Utilizar a ampulheta para confiná-lo naquela ânfora seria apenas adiar o problema, porque certamente a sua astúcia encontraria um meio de libertá-lo.

Tadeu sugeriu:

– Ouça o que faremos: você readquire a minha aparência enquanto eu volto para saber se Erminio obteve permissão para retirar a ampulheta do Coração das Fontes da Juventude. Se a permissão tiver sido concedida, eu entregarei o bracelete a Afrânio ou ao próprio Derlo para que, através da amostra da energia de Florêncio, a frequência possa ser modificada para atingi-lo. Eu voltarei, e escolheremos o momento oportuno para levantar a ampulheta e permitir que o escoamento da areia provoque o som intolerável que o fará contorcer-se e encolher para buscar refúgio na ânfora. Livres da ação nefasta de Florêncio, os nossos problemas terminam, e voltamos à nossa própria dimensão.

Os dois continuaram conversando durante mais alguns minutos e sobressaltaram-se quando Cibele apareceu inesperadamente para dizer:

– O que pensam que estão fazendo?!… Já deveriam estar bem longe daqui. A minha mãe retornou nervosa da casa de uma amiga e está soltando fumaça pelas narinas. Ela tentará descontar toda a raiva em vocês.

Cibele levantou a mão direita e estalou os dedos para que os pedaços de papel picado voltassem a compor a lista. Apavorando-se pelo pouco tempo que restava para que a sua mãe aparecesse, ela exclamou:

– É inútil! A minha magia não dará conta de providenciar tudo!

Ainda assim, Cibele empenhava-se em cumprir a primeira das tarefas que era retirar vários baldes de água do poço. Ela estalava os dedos continuamente, e os baldes repletos de água enfileiravam-se. Eliel, impacientando-se com o esforço que ela empregava desnecessariamente, estendeu a mão enquanto dizia:

– Dê-me essa lista para que eu possa verificar o que falta.

Cibele passou a lista a Eliel e surpreendeu-se ao vê-lo finalizar as tarefas num piscar de olhos. Ela não teve tempo de agradecer, porque sua mãe surgiu como um raio, reclamando:

– Conversa, conversa!… Só estão aqui para conversar!… Mas vejo que estiveram trabalhando também!… A quantidade de água é suficiente… Coletaram as ervas certas… As folhas estão verdes e frescas… Os legumes estão maduros… Até a grama foi aparada. Como fizeram tudo isso em tão pouco tempo?…

Cibele apressou-se em dizer:

– Eu ajudei! Eu já lhe disse que tenho me empenhado em aprimorar a minha magia.

Esquadrinhando o rosto de Eliel, a mãe de Cibele exclamou:

– Sei, sei!… Conte outra!… Bem, mas não temos tempo a perder…

Dirigindo-se a Tadeu e Eliel, a mãe de Cibele ordenou:

– Levem tudo isso para dentro porque estou com muita pressa. Vamos logo!… Mexam-se!

Depois, endereçando um olhar de reprovação a Cibele, ela comentou:

– Não fica bem você, noiva de Florêncio, ficar se desmanchando em sorrisos e gentilezas para esses dois imprestáveis. Todos estão comentando o seu futuro casamento com Florêncio, e você está atraindo a inveja e a admiração de muita gente. É por esse motivo que tem que zelar por sua reputação que, aliás, já foi manchada quando você se uniu a esse elfo! Mas isso é passado, e logo todos já terão esquecido. A propósito, arrume-se para o jantar e use o anel que Florêncio lhe deu. Ele se queixou de que você fez pouco do presente.

Cibele permaneceu calada, e sua mãe perguntou a Eliel e Tadeu:

– O que ainda estão fazendo aí, seus molengas?!… Querem conversar e ficar ouvindo a conversa alheia?!… Pois bem, esta noite, para que Florêncio possa jantar sozinho com Cibele, eu os levarei à casa de uma de minhas amigas para que sirvam como criados. Lá haverá conversa de sobra para escutarem. Agora, mexam-se!

FIM DO 28º CAPÍTULO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Sisi Marques
31/03/2014

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Grata,

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DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XXVII)

Na manhã seguinte, enquanto Cibele fazia a primeira refeição do dia, aproveitou-se da ausência de sua mãe para perguntar:

– Onde está Eliel?… Você conversou com ele depois que Florêncio se foi?

Livre do disfarce que Ermínio lhe providenciara, Tadeu endereçou um olhar significativo a Cibele antes de responder:

– Não. Ontem à noite, ele não parecia muito aberto ao diálogo. Ele deve estar na floresta recarregando suas energias. A sua mãe já me entregou uma lista enorme de afazeres, e eu preciso começar a trabalhar. Tenha um bom dia, Cibele.

Cibele sorriu tristemente quando ele se afastou. Desejava poder segui-lo, mas receava ser descoberta por Florêncio ou por sua mãe. Desmanchara o compromisso com Eliel para viver ao lado de Tadeu; mas, naquele momento, esse desejo parecia completamente inatingível.

Minutos depois, movida por um impulso irresistível, Cibele deixou o castelo e foi até o poço porque imaginou que era lá que Tadeu deveria estar. Ela não se enganara. Ele estava retirando um balde de água quando ela perguntou:

– Precisa de ajuda?…

Ele respondeu:

– Não. Mas necessito da sua companhia.

Cibele perguntou:

– Você acredita que Florêncio possa nos ouvir a esta distância do castelo?

Ele disse:

– Espero que não. Perdoe-me por ter mentido para você na cozinha. Eliel e eu conversamos bastante, sentados à margem do rio. Ele não se encontra mais nesta dimensão… Ele foi levar o bracelete para Afrânio e verificar sobre a possibilidade de usarmos a ampulheta. Ermínio também está empenhado em nos ajudar. Se eu tivesse a certeza de que Florêncio não está nos observando, eu não hesitaria em beijá-la.

Ele se surpreendeu ao ouvi-la murmurar:

– Valeria a pena correr o risco!… É impossível que ele tenha câmeras em todos os lugares.

Enquanto Cibele falava, os seus olhos tocavam os olhos de Tadeu, ofertando-lhes um néctar inebriante. Ele se aproximou lentamente para beijá-la. Entretanto, no momento em que Tadeu a beijava, o coração de Cibele começou a destilar gotas de incerteza e nostalgia. Com receio de magoá-lo, ela não o afastou e retribuiu o beijo. Quando o beijo terminou, eles se surpreenderam ao ver Eliel a certa distância com o olhar colado ao chão.

Tadeu aproximou-se dele para perguntar:

– O que houve?…

Eliel respondeu:

– Você se esqueceu de me entregar a esfera. Sem ela, eu não conseguirei localizar o portal.

Tadeu comentou:

– Tive que deixá-la para trás. Eu já estava na floresta, e faltava apenas girar a chave no centro da abertura. De repente, eu pensei ter ouvido alguém se aproximando… Eu me apavorei e acabei derrubando a esfera na passagem, no momento em que ela se fechava. Pouco depois, a mãe de Cibele me localizou, e eu a segui até o castelo sem impor resistência.

Eliel perguntou:

– Como a mãe de Cibele tomou conhecimento tão rapidamente da sua chegada?

Tadeu disse:

– Eu não sei… Pode ter sido coincidência. Ou talvez Florêncio a tenha avisado.

Eliel exclamou:

– Isso é impossível!… Ele não pode ter olhos e ouvidos por toda a parte!… Eu preciso encontrar um meio de sair daqui… Será muito difícil permanecer ao lado de vocês dois!…

Cibele, aproximando-se de mansinho, perguntou:

– O que estão cochichando?… Desde quando tivemos segredos?…

Foi Eliel quem disse:

– Você deveria saber que não é por sua causa que estamos falando baixo. Eu tentei sair, mas não consegui localizar o portal.

Receando que Eliel se afastasse, Cibele comentou:

– Você está magoado, e é apenas por esse motivo que está desesperado para partir. Eu posso ajudá-lo a localizar o portal. Se reunirmos a nossa magia, talvez consigamos encontrá-lo.

Fugindo ao olhar insistente de Cibele, Eliel exclamou:

– Não seria uma boa ideia! Eu voltarei ao castelo.

Cibele, ousando aproximar-se, perguntou:

– Por que você age assim?… Eu não pretendia feri-lo. Eu pensei que pudéssemos ser amigos.

Eliel, pousando o olhar no rosto de Cibele por um breve instante, confidenciou:

– É exatamente por ser seu amigo que eu preciso me afastar. O meu maior desejo é que você seja feliz. Só não me peça para compartilhar dessa alegria porque o meu coração está de luto.

Eliel afastou-se, e Cibele sentiu a desilusão abraçá-la. Contemplando o olhar apaixonado de Tadeu, ela confidenciou:

– Eu sinto como se estivesse afundando em um vazio imenso! O meu coração não pode ser assim tão inconstante!… Ele precisa parar de oscilar entre o seu amor e o amor de Eliel. Olhe para mim, Tadeu, e permita que o seu olhar reacenda a chama que aqueceu o meu coração naquela noite em que o nosso amor triunfou.

Tadeu empenhou-se ao máximo para que o seu olhar correspondesse à expectativa do olhar apaixonado de Cibele. Decepcionou-se, porém, quando ela desviou o olhar e perguntou receosa:

– Você acredita que eu esteja me deixando levar pelas sugestões de Florêncio?… Só pode ser isso!… Não existe outra explicação!… O pior é que eu estou fazendo você perder tempo em vez de ajudá-lo a realizar o trabalho.

Tadeu sugeriu:

– Conte-me o que a está preocupando. Como eu poderia virar-lhe as costas e me concentrar nas tarefas absurdas que sua mãe impõe, quando você está naufragando em um mar de sentimentos contraditórios?!… Eu tive uma ideia: lembra-se daquela árvore que despertou a preferência de Eliel na época em que ele ainda estava comprometido com Anabel?… Vá para lá e me aguarde. Em breve, irei alcançá-la.

Cibele murmurou:

– Por que não larga tudo e vem comigo?!… Eu não quero ficar sozinha. Deixe-me ver essa lista para que possamos terminar logo com essas exigências.

Num gesto de impaciência, Cibele puxou a lista de obrigações da mão de Tadeu e, com um sorriso mesclado de doçura e maldade, ela rasgou a lista em vários pedaços e soltou-os para que fossem carregados pelo vento. Depois, segurando a mão de Tadeu, perguntou:

– Podemos ir?!… Agora a sua única tarefa é fazer-me companhia.

Tadeu, sentindo-se inebriar de paixão, conduziu Cibele à floresta. Quando eles chegaram em frente à árvore que Tadeu mencionara, sentaram-se à sua sombra. Cibele perguntou:

– Você se lembra quando eu me zanguei porque você e Anabel, em vez de estarem se empenhando em terminar logo as tarefas, estavam aqui sentados, conversando com Eliel?

Tadeu acrescentou:

– Comendo chocolate e tomando sorvete. Anabel estava preocupada com sua aparência, e Eliel conseguiu melhorar tanto a aparência dela quanto a minha, com sua magia. Depois Anabel se foi, e eu presenciei o beijo que vocês trocaram.

Cibele comentou:

– Você sempre foi meu amigo e esteve sempre presente. Agora que a nossa amizade se estendeu além dos limites que estabelecíamos, eu me encorajei a terminar o meu relacionamento com Eliel, para que o nosso amor pudesse ter uma chance de sobreviver àquela noite. Quando Eliel chegou aqui ontem, eu olhei nos olhos dele e não reencontrei a doçura de outrora. Nós nos beijamos, e o sabor daquele beijo já não era o mesmo. Ou o amor de Eliel perdeu o poder de me atrair, ou foi o meu amor por você que se intensificou e começou a vibrar nas cordas do meu coração.

Tadeu, segurando a mão de Cibele, aventurou-se a perguntar:

– Isso quer dizer que você aceita a possibilidade de ser feliz ao meu lado?…

Tadeu sentiu o coração despedaçar quando ela confidenciou:

– Naquela noite, sim. Mas hoje eu não saberia o que responder… No início, eu pensei que esta dimensão influenciasse os meus sentimentos em relação a vocês dois. Mas começo a acreditar que Florêncio esteja tentando me confundir com suas sugestões insidiosas para colocar Eliel contra você, e vice-versa. Além disso, se eu estiver presa nessa teia de sentimentos conflitantes, eu não poderei buscar refúgio na fortaleza do meu amor. Florêncio está fazendo mais do que dividir o meu coração ao meio… Ele está matando as duas metades e revivendo-as alternadamente. Antes de virmos para cá, eu amava Eliel. Quando cheguei aqui, o meu amor por você veio à tona de modo irresistível. E hoje, embora Eliel procurasse camuflar o seu olhar, ele conseguiu aprisionar o meu coração. Quando Eliel se afastou há pouco, ele levou o meu coração consigo; e é por esse motivo que eu me encontro de mãos vazias. Embora você seja lindo, meigo e atencioso, e o seu amor seja pleno e cativante; você não conseguiria reencontrar nos meus olhos a profusão de amor daquela noite porque, neste momento, o meu coração está ausente. A resposta é não. Eu jamais poderia ser feliz ao seu lado, porque amo Eliel perdidamente. Eu sinto muito, meu amigo.

Cibele delicadamente acariciou o rosto de Tadeu para afastar as lágrimas que teimavam em cair. Aproveitando-se da leveza daquele silêncio, ela acrescentou, ternamente, enquanto se permitia brincar com o cabelo de Tadeu, enrolando-o e desenrolando-o por entre os dedos:

– Você não está sozinho em sua dor e em seu sofrimento; tanto Eliel quanto eu estamos sofrendo irremediavelmente. O ciúme de Eliel é implacável: ele jamais conseguirá me perdoar. Apesar disso, eu seria uma grande mentirosa se dissesse que me arrependo por ter cedido ao encanto daquela atração mágica. Aquele momento viverá para sempre na memória de nossos corações.

Para animá-lo, ela exclamou exalando ternura:

– Não é justo! Vai continuar aí calado, me deixando falar sozinha?!…

O coração de Tadeu, embora corroído pela desesperança, ainda pulsava ensandecido por aquele amor solitário. Ele precisava conquistar um último beijo antes de soltá-la para sempre. As palavras eram desnecessárias, porque o sentimento entre eles sempre falou mais alto. Cibele, ao sentir o contato quente e macio das mãos de Tadeu em seu rosto, pressentiu o beijo e aceitou-o como uma demonstração de afeto. Quando o beijo terminou, ele disse:

– Eu tenho algo muito importante para lhe revelar. Você se lembra de quando Crisélia assumiu a aparência de Anabel para ir trabalhar na biblioteca no lugar dela? Não houve nenhuma modificação real na aparência de Crisélia, embora ela conseguisse criar a ilusão de ser Anabel para aqueles que não tinham conhecimento do seu disfarce. O mesmo aconteceu com Eliel. Você e eu nunca ultrapassamos limite algum, porque foi ele quem esteve ao seu lado o tempo todo. Se ele tivesse lhe contado que assumiria a minha aparência, você veria a ele e não a mim, e o disfarce não se sustentaria. Para que ele conseguisse enganar a sua mãe e Florêncio, você precisava acreditar que fui eu quem a conduziu para cá e não ele. Florêncio não teve nada a ver com a confusão em sua mente e em seu coração.

Embora a fisionomia de Cibele expressasse toda a mágoa que sentia por ter sido enganada, Tadeu aproveitou-se da comoção de seu silêncio para acrescentar:

– Ontem à noite, quando você contou a Eliel o que pensou ter acontecido entre nós, era comigo que você estava falando. A pedido de Clara, a magia de Ermínio concedeu-me a aparência de Eliel por algumas horas para que eu não comprometesse o disfarce dele, e tivéssemos tempo de reassumir as nossas identidades. A sua confusão aparente só realçou a certeza de que você ama Eliel. Não é só você que se sente traída. Eu também sofri quando você buscou inutilmente nos meus olhos a emoção que só consegue encontrar nos olhos dele. Nós três fomos vítimas das circunstâncias porque, embora Eliel não tivesse o direito de se aproximar de você se fazendo passar mim, ele a ama e só desejou apaziguar o seu coração depois que Florêncio a beijou.

Cibele e Tadeu já estavam em pé ao lado da árvore quando ela exclamou:

– Eu odeio você e odeio Eliel duplamente! Para vingar-me dessa traição, aceitarei casar-me com Florêncio o mais breve possível. Você e Eliel têm os meios para partir, e espero que façam isso agora mesmo para que eu nunca mais torne a vê-los. Eu sei que você mentiu para ele a respeito da esfera. Ela não caiu na passagem enquanto você fechava o portal porque ontem, quando a minha mãe mandou que eu descesse ao porão para lhe dar as boas vindas, eu presenciei o momento em que você escondeu a chave e a esfera na fronha do seu travesseiro. Você não conseguiria convencer Eliel a ficar e, por esse motivo, entregou-lhe apenas a chave porque você sabia que seria impossível ele encontrar a saída da floresta sem a esfera.

Para enternecê-la, Tadeu perguntou:

– E quanto ao bebê… Como acha que ele será tratado depois que nascer?…

Cibele afirmou:

– Eu convencerei Florêncio a aceitá-lo, porque condicionarei a intensidade do meu amor à afeição e gentileza que ele demonstrar em relação ao meu filho.

FIM DO 27º CAPÍTULO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Sisi Marques
28/03/2014

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Grata,

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DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XXVI)

Aquele jantar parecia interminável. Cibele, alegando cansaço, foi a primeira a recolher-se. Tão logo ela se foi, Florêncio, após atirar mais alguns dardos de sarcasmo, retirou-se também. Ao vê-lo desaparecer, Eliel disse a Tadeu:

– Precisamos conversar. Por que não vamos até o rio?

Eliel e Tadeu afastaram-se do castelo e caminharam até a margem do rio. O falso Tadeu comentou:

– Já estamos a uma distância segura e podemos falar abertamente. Está na hora de abandonarmos os nossos disfarces; cansei de ser você e quero voltar a ser eu mesmo.

O falso Eliel respondeu:

– Concordo plenamente. Além disso, se não desfizermos a troca, ficaremos em sérios apuros porque a magia de Ermínio conseguirá estender-se apenas por algumas horas.

Eliel, abrindo mão de seu disfarce, comentou:

– No início, não foi nada fácil enganar Cibele e passar-me por você. Ela insistia em dizer que não conseguiríamos fazer a travessia.

O verdadeiro Tadeu confidenciou:

– Para mim, a situação foi ainda mais complicada porque precisei esconder-me na árvore de Crisélia para evitar que Florêncio descobrisse que havia dois de mim. Depois que Crisélia levou Clara à árvore para que ela se inteirasse dos fatos e parasse de chorar, ela decidiu falar com Ermínio para descobrir se ele poderia nos ajudar de alguma forma. Ele sugeriu que eu reforçasse o seu disfarce assumindo a sua aparência e usasse a chave para vir encontrá-los. Ele se prontificou a conseguir a autorização para retirar a ampulheta do Coração das Fontes da Juventude. Agora só falta obtermos uma amostra da energia de Florêncio. A propósito, por que Cibele não está mais usando o bracelete?

Eliel, com o rosto iluminado pela paixão, comentou:

– Todas as vezes que ela me beijou, era você quem ela imaginava estar beijando. Para tornar a situação ainda mais delicada, Florêncio se atreveu a beijá-la e, consequentemente, a cor no bracelete se alterou, e ela ficou transtornada. Quando descemos ao porão para esconder o bracelete e também para que ela trancasse a minha cela, ela ainda estava muito abalada com aquele beijo, e eu a beijei para ajudá-la a esquecer. Foi aí que eu cometi o maior erro de toda a minha existência: eu amei Cibele deixando-a acreditar que era você quem estava ao lado dela.

Abanando a cabeça em sinal de reprovação, Tadeu disse indignado:

– Você não tinha o direito de se aproximar de Cibele fazendo-se passar por mim.

Eliel exclamou:

– Não foi nada premeditado!… Simplesmente aconteceu!… Eu só queria poder estar junto dela e apagar, de seu coração, a lembrança daquele beijo que a atormentava. Foi um momento inesquecível e talvez o último de nossas vidas. Eu fui um tolo ao cometer esse desvario. O que importa não é o que aconteceu, mas o que ela pensa ter acontecido. Cibele acredita ter tido a coragem de assumir o amor que sente por você. Eu receio que ela esteja inclinada a desistir do meu amor para viver ao seu lado.

Tadeu afirmou:

– Assim que você explicar a situação a Cibele, tudo ficará esclarecido. A propósito, é bom que você faça isso logo, porque ela rompeu comigo minutos depois da minha chegada.

Eliel disse:

– Esse rompimento não teve nada a ver com você. Ela pensa que deixou de me amar e talvez isso seja mesmo verdade. Eu lamento não ter a sua presença de espírito. Preciso me afastar de Cibele imediatamente. Amanhã mesmo eu voltarei à nossa dimensão para levar o bracelete a Afrânio. Se Ermínio tiver conseguido a autorização para usarmos a ampulheta contra Florêncio, Derlo também virá em nosso auxílio. A barreira entre você e Cibele não existe mais. Você só precisa ter um pouco de paciência para evitar que a sua precipitação resulte na aproximação de Florêncio. Eu ainda não consegui perdoar a minha covardia. Eu presenciei o momento em que ele a beijou e eu não fiz absolutamente nada para impedi-lo. O quanto antes sairmos daqui melhor. Não podemos desperdiçar um minuto sequer.

FIM DO 26º CAPÍTULO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Sisi Marques
26/03/2014

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DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XXV)

Quando Eliel e Cibele entraram na cozinha, sobressaltaram-se com a presença indesejável de Florêncio ao lado de Tadeu. Ostentando um sorriso irônico, Florêncio comentou:

– Para evitar cometer a indiscrição de observá-los em seus últimos minutos de privacidade, eu preferi ficar aqui instruindo Tadeu sobre a finalização do jantar. Para mostrar-lhes o quanto sou generoso, permitirei que nós quatro, apenas esta noite, sentemos reunidos na sala de jantar. Afinal, a chegada de Eliel a esta dimensão é um acontecimento e tanto!

Olhando fixamente para Eliel, Florêncio acrescentou:

– A propósito, você reparou no anel de noivado que ofertei a Cibele?…

Aproveitando-se do silêncio de Eliel, Cibele perguntou:

– A minha mãe também comparecerá a esse jantar?…

Florêncio respondeu:

– Não, querida. A sua mãe já saiu acompanhada de suas amigas. Confesso que estou decepcionado com você… Como Eliel poderá contemplar o seu anel, se você não o está usando no momento?

Cibele, determinada, afirmou:

– Eu só o usarei após o bebê nascer. O nascimento do bebê será o marco do meu rompimento com Eliel. Até lá, eu ainda permanecerei ligada a ele.

Cibele surpreendeu-se ao ouvi-lo dizer:

– Você é quem sabe!… Lembre-se de que eu os estarei observando; e o que eu disse a você, em relação a Tadeu, servirá também em relação a Eliel: abraço por abraço, beijo por beijo e carícia por carícia.

Cibele exclamou:

– Você é louco!

Florêncio disse:

– Nesse ponto, você tem toda a razão, Cibele. Eu sou louco por você. E não permitirei que nem Eliel e nem Tadeu a afastem de mim.

FIM DO 25º CAPÍTULO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Sisi Marques
24/03/2014

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DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XXIV)

Dois dias depois, Tadeu bateu à porta do quarto de Cibele. Sem se levantar da cama, ela murmurou:

– Diga à minha mãe que não descerei para jantar.

Tadeu, batendo novamente, disse:

– Abra; é importante.

Cibele levantou-se e abriu a porta. Ao contemplar o rosto de Cibele marcado pelas lágrimas, Tadeu disse:

– Sinto ter que lhe dar mais este dissabor.

Permitindo-se olhar nos olhos de Tadeu, ela perguntou:

– O que aconteceu?…

Ele revelou:

– Sua mãe deseja que você vá ao porão dar as boas vindas a alguém.

Cibele, beirando o descontrole, disse:

– Florêncio não ficou satisfeito em afastar você de mim e raptou Clara. Eu mesma não me reconheço… Em vez de estar preocupada com o destino de Clara, só consigo pensar em nós dois, na nossa desventura e no meu ciúme.

Com os olhos repletos de paixão, Tadeu murmurou:

– Você sabe o motivo que me levou a me afastar de você. Eu não me perdoaria se Florêncio a tocasse.

Permitindo que o seu olhar envolvesse Tadeu carinhosamente, Cibele afirmou:

– Precisamos descer, porque Clara deve estar aflita.

Quando Cibele e Tadeu chegaram à cozinha, a mãe de Cibele começou a reclamar:

– Vocês dois se merecem!…Parecem duas lesmas!… Por que demoraram tanto?!… Você, imprestável, já deveria ter acabado de limpar aquele sótão há horas!… Pare com a faxina e inicie o jantar. Quanto a você, Cibele, desça para ver quem ocupará a cela em frente à de Tadeu.

Com o coração esmagado pelo peso da tristeza e do ciúme, Cibele desceu a escada em silêncio e, sem se aproximar da abertura com grade para verificar quem estava no interior da cela oposta à de Tadeu, destrancou a porta com sua magia enquanto dizia:

– Pode sair, Clara; eu prometo que logo tudo ficará bem.

Cibele surpreendeu-se alegremente ao contemplar o vulto que deixou a cela. Ela estremeceu de paixão quando ouviu Eliel dizer:

– Sou eu!… Pensei que fosse morrer de saudade!

Com o coração transbordando de felicidade, ela se esqueceu da advertência de Florêncio e se permitiu abraçar e beijar Eliel.

Após o beijo, afastando-se delicadamente para contemplar-lhe o rosto, ela murmurou:

– Você não deveria ter vindo. Agora será mais um a sofrer nesta dimensão.

Eliel, mergulhando nos olhos de Cibele, exclamou:

– Sofrimento é sofrimento não importa em que dimensão se esteja! Eu prefiro sofrer ao seu lado a ser tragado pela impotência e pelo desespero. Você está mais linda do que nunca!

Cibele, encabulada, comentou:

– São os seus olhos e os olhos de Tadeu que me veem assim. Eu me sinto horrível nesta túnica preta!…

Fitando os olhos de Eliel, Cibele confessou:

– Não é apenas o modo sinistro como estou vestida que faz com que eu me sinta mal comigo mesma na sua presença. Eu preciso lhe contar antes que Florêncio se encarregue de fazê-lo…

Bebendo da sinceridade e da expectativa angustiante no olhar de Eliel, Cibele acrescentou:

– Eu pensei que estivesse segura em relação ao meu amor por você e não percebi o quanto era imprudente aproximar-me de Tadeu. No dia em que chegamos, ele conseguiu exercer uma atração irresistível sobre o meu coração, e essa mesma atração arremessou para longe todos os limites que nos orgulhávamos tanto em manter. Foi apenas uma noite que teria conseguido romper a barreira do tempo e estender-se por toda a eternidade, se Florêncio não tivesse ameaçado exigir de mim o amor que eu ofertasse a Tadeu.

Com uma expressão indefinível no rosto, Eliel perguntou:

– Você se permitiu amar Tadeu e só não se entregou novamente a esse amor porque receou que Florêncio cumprisse a ameaça que lhe fizera?… O que você sente por mim, Cibele?!… Eu preciso saber.

Permitindo-se mergulhar nos olhos de Eliel, Cibele confessou:

– Esta dimensão tem o poder de alterar a minha percepção em relação a você e a Tadeu. De um modo inexplicável, ela me faz enxergar nos olhos de Tadeu o brilho que eu costumava ver no seu olhar. E agora, por mais doloroso e cruel que pareça, embora os seus olhos sejam os mesmos, quando eu olho para você, eu sinto que a luz que me inspirava a ofertar-lhe o meu amor se apagou. Se hoje estivéssemos na nossa casa ou na nossa árvore, eu partiria o meu coração e o seu ao pedir-lhe que me libertasse do nosso compromisso para que eu pudesse viver ao lado de Tadeu para sempre. Eu sinto muito, Eliel… A partir deste momento, eu só posso lhe ofertar o calor da minha amizade e a minha eterna admiração. Perdoe-me, meu amigo, pela decepção que lhe causei.

As lágrimas corriam livres pelo rosto de Cibele. Eliel, por sua vez, lutava inutilmente para refrear as próprias lágrimas. Percebendo um resquício de paixão no olhar terno de Cibele, ele se aventurou a dizer:

– Apenas um último beijo teria o poder de atenuar a tristeza que suas palavras me causaram.

Cibele, mergulhando no oceano de amor contido nos olhos de Eliel, aventurou-se a beijá-lo ternamente. Quando o beijo terminou, ela sugeriu:

– Vamos subir para ajudar Tadeu a terminar o jantar?…

Eliel sorriu, e os dois subiram as escadas de mãos dadas.

FIM DO 24º CAPÍTULO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Sisi Marques
19/03/2014

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

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Que os seus sonhos se realizem!

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DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XXIII)

Quando Cibele acordou na manhã seguinte, beijou o rosto de Tadeu várias vezes até conseguir despertá-lo. Sorrindo, ela disse:

– Eu preciso ir para que a minha mãe não desconfie que eu passei a noite ao seu lado. Você terá um dia difícil, mas não se preocupe porque estarei por perto para ajudá-lo. Eu te amo. Cuide-se.

Antes que Cibele deixasse a cela, Tadeu estreitou-a em seu abraço e beijou-a amorosamente.

Aproximadamente cinco horas depois, Cibele estava na cozinha vendo Tadeu preparar o almoço quando sua mãe apareceu para dizer:

– Florêncio está na sala e gostaria de falar com você.

Cibele, após endereçar um discreto olhar a Tadeu, disse:

– Por que a senhora não pede para ele vir aqui? Ele poderia dar-nos alguma sugestão para o almoço, ou até mesmo enriquecê-lo com sua magia.

A mãe de Cibele concordou:

– É uma ideia excelente porque, se depender apenas de vocês dois, a comida será intragável!

Cibele assustou-se quando Florêncio apareceu ao seu lado pouco depois de sua mãe deixar a cozinha. Afastando-se e caminhando em direção a Tadeu, ela sugeriu:

– Você poderia demonstrar como usa sua magia para obter alimentos tão deliciosos.

Florêncio exclamou:

– Obrigado pelo cumprimento! Esta foi a primeira vez que você admitiu gostar dos meus presentes. Eu aprecio a sua gentileza e, por essa razão, pretendo dar-lhe a oportunidade de repensar o seu comportamento inadequado em relação a Tadeu. Embora eu não seja do tipo que se permita consumir em uma explosão de ciúme, eu não tolero ser enganado. Até ontem à noite, eu não tinha motivos para me preocupar com vocês dois. Na verdade, eu não tinha receio em aproximá-la de Tadeu, porque vocês dois costumavam estabelecer e respeitar limites. Ontem à noite, entretanto, eu me surpreendi desagradavelmente ao presenciar a ousadia de Tadeu e a sua falta de recato. O que Eliel diria ao saber que bastou você ficar longe dele por uma noite nesta dimensão para decidir extravasar a paixão represada durante todos esses anos? Tadeu prestou-me um serviço inestimável ao colocar uma mancha indelével no seu relacionamento com Eliel. Eu a perdoo, Cibele. O ciúme de Eliel, no entanto, não conseguiria demonstrar tamanho desprendimento e generosidade.

Florêncio, comprazendo-se das lágrimas que transbordavam abundantemente dos olhos de Cibele, acrescentou:

– A noite de ontem ficará arquivada nas brumas do esquecimento; mas, a partir deste momento que coloco este anel de noivado em seu dedo, eu cobrarei para mim abraço por abraço, beijo por beijo, carícia por carícia que vocês dois trocarem. Fiquem atentos porque nada escapará a essa contabilidade. Mantenha-se afastada do criado de sua mãe, e eu esperarei pacientemente pelo dia do nosso casamento. Insista em aproximar-se dele, e eu ousarei aproximar-me de você na mesma medida.

Cibele abaixou os olhos para contemplar tristemente o esplendoroso anel de compromisso e não se atreveu mais a olhar para Tadeu. Florêncio, por sua vez, satisfeito com sua encenação, começou a conduzir a preparação do almoço. Após alguns minutos, ela finalmente encorajou-se a dizer:

– Ficarei no meu quarto até o almoço ser servido.

Florêncio, simulando gentileza, aconselhou:

– Vá e descanse porque, no seu estado, você precisa repousar.

FIM DO 23º CAPÍTULO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Sisi Marques
18/03/2014

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DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XXII)

Cibele só voltou para libertar Tadeu cerca de oito horas depois. Conduzindo-o à cozinha, ela perguntou:

– Você está com fome? Eu gostaria de ter vindo antes, mas a minha mãe demorou para sair. Eu preparei uma salada. Sem querer, eu exagerei no sal; de qualquer modo, é melhor do que nada.

Cibele começou a chorar. Tadeu permaneceu calado, porque Florêncio surgiu inesperadamente. Cibele, assustada, também emudeceu. Florêncio disse:

– A sua mãe avisou-me de sua chegada e contou-me que Tadeu decidiu acompanhá-la para levar a criança embora logo após o nascimento. Espero que tenha sido só por esse motivo que ele veio.

Cibele perguntou:

– E que outro motivo poderia existir?!… Ouça, eu sei que precisamos conversar, mas este não é o momento. Amanhã, durante o almoço, eu prometo dispensar-lhe a atenção que você merece. Agora está tarde, e eu me sinto cansada. Eu já estava mesmo me despedindo de Tadeu. Ele voltará à cela, e eu subirei para o quarto.

Florêncio disse:

– Eu imaginei que fosse encontrá-los reunidos, e foi por esse motivo que resolvi trazer-lhe esta caixa de bombons. Ela contém dois sabores: abacaxi e cereja. A propósito, gostou do bolo que lhe enviei?

Cibele respondeu:

– Foi muita gentileza sua. Obrigada também pelos bombons. Agora, se me der licença, eu preciso conduzir Tadeu de volta à cela.

Florêncio disse:

– Ele é apenas um criado. Você não pode dar mais atenção a ele do que a mim. Eu sou seu noivo. Você concordou em se unir a mim quando conversamos no salão dos espelhos, não se lembra? Eu poderia ter ficado magoado por você ter faltado com a sua palavra e ter enviado Derlo em seu lugar; mas, como o meu amor excede o meu orgulho, eu decidi perdoá-la. Eu vim lhe dar as boas vindas e partirei se você me der um beijo de despedida.

Cibele comentou:

– Você está indo depressa demais. Por favor, seja paciente.

Florêncio disse:

– Como você e Tadeu costumam dizer: é apenas um beijo. Não há mal nenhum porque, se houvesse, vocês não teriam se beijado tantas e tantas vezes.

Começando a impacientar-se, Cibele protestou:

– Você não tem o direito de falar comigo desse modo e, além disso, eu só devo satisfações a Eliel. Você quer um jogo aberto?… Pois, então, sejamos francos: eu só estou aqui porque receio que você prejudique as pessoas que amo.

Florêncio perguntou exalando ironia:

– Refere-se a Clara?… Vindo para cá espontaneamente você me poupou um trabalho incrível. Voltando a falar sobre o beijo, eu não tenho a intenção de pressioná-la. Contudo, eu acredito ter o direito de beijar a minha noiva. Lembre-se, Cibele, marcaremos a data do casamento para depois que o bebê nascer. Se você está constrangida por beijar-me na frente de Tadeu, leve-o para a cela antes; eu não me importo de esperar.

Cibele endereçou um olhar a Tadeu antes de dizer:

– Não será necessário. Pode me beijar se quiser.

Florêncio, após beijar Cibele, comentou:

– Não se preocupe com o seu desamor porque, a cada beijo que eu lhe der, você estará mais próxima do meu amor.

Florêncio desapareceu, e Cibele sentou-se pesadamente. As lágrimas corriam livres pelo seu rosto, e Tadeu sentou-se ao seu lado colocando o braço ao redor de seus ombros. Ela murmurou:

– O verde luminoso da energia de Eliel desapareceu. Por favor, retire este bracelete e esconda-o para que eu não veja esta cor nunca mais.

Tadeu disse:

– Deixe-me ver se consigo livrá-la do bracelete.

Tadeu e Cibele surpreenderam-se ao ver que o fecho abriu facilmente. Tadeu apanhou um pano de prato e usou-o para embrulhar o bracelete. Cibele, com o coração pesado, acompanhou Tadeu à cela. Após esconder o embrulho debaixo da cama, ele disse:

– Não se torture por esse beijo que nada significou. Pense nos beijos de Eliel, pense nos nossos próprios beijos. Você deseja que eu apague dos seus lábios o gosto desse beijo indesejável?…

Os lábios de Cibele não se moveram. Foi o seu olhar que pediu a Tadeu que a beijasse. Quando o beijo terminou, ela confessou:

– Um beijo apenas não é o bastante. Eu preciso de você como eu necessito de Eliel. Abrace-me e deixe-me sentir o seu amor em toda a sua plenitude. Eu te amo.

FIM DO 22º CAPÍTULO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Sisi Marques
16/03/2014

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CIBELE (REALIDADA MÁGICA) 2ª Tentativa

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DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XXI)

Quando Cibele entrou no castelo, acompanhada de Tadeu, sua mãe disse:

– Aí está você!… Florêncio cumpriu mesmo o que prometeu! E que mudança radical sofreu esse nosso empregadinho imprestável! O que ele ganhou em musculatura deve tê-lo capacitado para a realização dos serviços pesados que o esperam.

Cibele afirmou:

– Tadeu só está aqui com um propósito: esperar o meu filho nascer para levá-lo a Eliel. No castelo há vários quartos, e eu exijo que um deles seja destinado a acomodá-lo. Eu não posso permitir que ele volte a dormir no porão.

Satisfeita, a mãe de Cibele disse:

– Pelo menos a sua altivez você não perdeu, e isso torna a situação menos embaraçosa. Graças a você e a esse filho que está esperando, eu virei motivo de riso nas reuniões e nos encontros sociais. Você é um exemplo a ser evitado e não está em posição de exigir nada. O imprestável poderá partir quando o filho do elfo nascer, mas até lá ele dormirá no único lugar condizente com a sua humanidade, e voltará à rotina de trabalho que costumava seguir antes de fugir. Leve-o agora mesmo e tranque a cela para evitar que ele fuja novamente.

Cibele perguntou:

– Por que ele pensaria em fugir se está aqui por vontade própria? Ele é um homem livre e não trabalhará para a senhora. E eu insito que ele fique hospedado em um dos quartos do castelo. Há mais uma exigência: eu só concordarei em me casar com Florêncio depois que o bebê nascer.

A mãe de Cibele advertiu com severidade:

– Não ouse me desafiar. Você dará ordens na sua casa, se Florêncio permitir. Aqui, neste castelo, quem manda sou eu. Se eu digo que o imprestável ficará na cela, é lá que ele deverá ficar. Se eu digo que ele trabalhará para mim, é porque trabalhará certamente. Quanto ao seu casamento com Florêncio, cabe a ele decidir quando será. Se você me obedecer, quando o filho do elfo nascer, o imprestável poderá partir para levá-lo. Quanto antes nos livrarmos desse problema, mais cedo o escândalo será esquecido. Embora você não mereça nenhuma consideração depois da humilhação pela qual me fez passar, poderá voltar a ocupar o seu antigo quarto. E não pense que eu me esqueci da chave que abre os portais. Eu exijo que você a devolva.

Cibele mentiu:

– Ela foi entregue ao Conselho dos Gênios.

Esquadrinhando o rosto de Cibele, sua mãe perguntou:

– Se ela não está em seu poder, como vocês retornaram?

Cibele aventurou-se a dizer:

– Eu também tenho os meus truques! Na companhia de Eliel, eu exercitei e aprimorei a minha magia consideravelmente.

A mãe de Cibele exclamou destilando ironia:

– Ainda bem que aquele elfo serviu para alguma coisa, porque elfos não costumam servir para nada! Nem para escravos servem porque são preguiçosos, escorregadios e insolentes!

Cibele, aparentando cansaço, perguntou:

– A senhora já terminou?… Eu me sinto exausta. Acompanharei Tadeu até o porão e depois subirei para descansar.

A mãe de Cibele comentou:

– Você está se esquecendo de Florêncio. Quando ele souber do seu retorno, desejará vê-la imediatamente. Eu o convidarei para o jantar.

Cibele disse:

– Hoje não, porque eu não me sinto muito bem. Terei que me acostumar novamente com a energia desta dimensão. Convide-o para vir almoçar amanhã. Eu mesma prepararei a refeição.

A mãe de Cibele emitiu uma estrondosa gargalhada antes de exclamar:

– Tudo menos isso!… Não me diga que espera afugentar o seu noivo logo no primeiro encontro!… Deixe que o imprestável prepare a refeição. A propósito, gostou do bolo que Florêncio lhe enviou?… Foi ideia minha.

Cibele calou-se e caminhou até a cozinha, acompanhada de Tadeu. Lutava consigo mesma para segurar as lágrimas que teimavam em cair. Não se atrevia a olhar para o rosto dele. Sentia o coração pesado e uma saudade ardente. Após um breve suspiro, comentou:

– Eu daria tudo para saber o que Eliel está fazendo neste exato momento.

Enquanto desciam a escada que dava para o porão, ela disse:

– Embora a minha magia não sirva para muita coisa; para higienizar este lugar, ela deverá servir.

Num estalar de dedos, o lugar que antes rescendia a abandono, começou a exalar um suave aroma de lavanda. Ela comentou:

– Lamento não conseguir deixar a cela um pouco mais confortável. Se ainda pudéssemos contar com a magia do bastão, tudo seria mais fácil. Eliel e eu não deveríamos tê-lo destruído. Eu sinto muito, Tadeu, por tudo voltar a ser como era.

Cibele surpreendeu-se ao ouvi-lo afirmar:

– Você me enganou. Eu não pensei que tivesse vindo para ficar.

Cibele disse:

– Eu não tenho escolha. Se eu voltar, Florêncio continuará interferindo em nossas vidas. Eu preciso proteger Clara, e você deverá voltar para ela. Em relação a Eliel, eu ficarei mais tranquila sabendo que o bebê lhe fará companhia. Agora entre na cela para que eu possa trancá-la com a minha magia. À noite, depois que a minha mãe sair com suas amigas, eu voltarei para conversarmos, e você poderá sair para nadar no rio.

Tadeu permaneceu no mesmo lugar, e Cibele fitou o chão para fugir ao seu olhar insistente. Ela comentou:

– Antes era mais fácil criar aquele abismo entre nós porque você não ousava olhar para mim desse modo. Além disso, esta dimensão parece intensificar a afeição que sinto por você, e diminuir o meu amor por Eliel. Obedeça-me: entre na cela para que eu possa…

Cibele não conseguiu terminar porque Tadeu a puxou para si e beijou-a ardentemente. Interrompendo o beijo e conseguindo livrar-se do seu abraço, ela exclamou nervosa:

– Chega, Tadeu! Se você continuar agindo assim, eu o manterei preso até o bebê nascer! Pela última vez, entre na cela antes que a minha mãe venha verificar por que estou demorando tanto!

Tadeu obedeceu em silêncio, e Cibele retirou-se.

FIM DO 21º CAPÍTULO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Sisi Marques
09/03/2014

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Sisi Marques

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DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XX)

Quando Tadeu retornou da árvore de Eliel cerca de uma hora depois, Cibele o aguardava ansiosamente. Ele disse:

– Eliel ainda está bastante zangado. Apesar disso, entregou-me o seu anel e consentiu que partíssemos utilizando sua magia. Ele nos proibiu de usarmos a chave e a esfera porque receia que elas tornem a cair nas mãos de sua mãe.

Cibele murmurou:

– Eliel sabe que não conseguiremos.

Tadeu, revelando seu otimismo, declarou:

– Jamais saberemos se não tentarmos.

Cibele parecia relutante quando disse:

– Não dará certo, Tadeu. Você não tem magia. Eliel e eu conseguimos porque unimos a nossa magia. Teremos que usar a chave.

Tadeu disse confiante:

– Eu estou com o anel de Eliel; se nos concentrarmos, sei que dará certo. Ele também acreditou que daria.

Cibele exclamou:

– É tão difícil deixar Eliel!…

Tadeu sugeriu:

– Então, não o deixe. Ele ficará feliz ao saber que você criou juízo e desistiu de partir.

Cibele, com a voz recoberta de tristeza, disse:

– Eu não posso colocar em risco a segurança de Clara. Se eu permitir que o amor de Eliel me prenda aqui, Florêncio não hesitará em levá-la. Entregue-me a chave, e eu partirei sozinha. É a mim que ele quer. Você sabe o que acontecerá se retornar ao meu lado.

Tadeu exclamou:

– De que me serve a liberdade longe do seu amor?!… Eu estarei sempre ao seu lado, não importa o que aconteça. Vamos, antes que Eliel se arrependa e venha buscá-la. Você sabe que terá que me beijar.

Cibele repetiu:

– Não dará certo. Quantas vezes terei que lhe dizer isso?!… Eliel e eu reunimos o nosso amor e a nossa magia e conseguimos nos transportar para a outra dimensão. Mas, no nosso caso, a nossa amizade, por mais forte e sincera que seja, não será suficiente.

Tadeu comentou:

– A chave ficará com Eliel para que ele possa ir buscar-nos quando conseguir permissão para usar a ampulheta. Ele disse que bastaria beijá-la e girar o anel.

Cibele perguntou:

– De que servirá a ampulheta se não conseguimos uma amostra da energia de Florêncio?!…

Tadeu afirmou:

– Derlo é esperto e conseguirá um modo de fazer com que a ampulheta cumpra o seu propósito. Agora feche os olhos para que eu possa beijá-la.

Os dois se beijaram e Cibele sentiu-se frustrada ao verificar que permaneceram no mesmo lugar. Tadeu disse:

– A minha parte eu fiz. Não resista, Cibele. Você precisa retribuir o beijo.

Ela confidenciou:

– Eu não posso beijá-lo se não me sentir atraída pelo seu olhar. Talvez o erro tenha sido fechar os olhos antes que o seu olhar me envolvesse.

Tadeu disse:

– Vamos recomeçar: olhe bem no fundo dos meus olhos e diga o que você vê.

Cibele, contemplando os olhos de Tadeu, começou a navegar sobre as ondas de uma emoção indescritível enquanto respondia:

– Eu vejo um amor imenso.

Ele sugeriu com a voz embebida de carinho:

– Mergulhe nesse amor e deixe-me conduzi-la de volta à sua dimensão.

Cibele, com o coração envolto pelo calor da paixão, abraçou Tadeu e beijou-o carinhosamente. Quando o beijo terminou, os dois estavam no meio da floresta. Ela sugeriu:

– Esconda-se. Você ficará muito mais seguro aqui.

Tadeu disse:

– Não foi isso o que combinamos.

Com a voz encharcada de tristeza, Cibele murmurou:

– Siga o meu conselho: não se aproxime do castelo. Quando eu puder, virei encontrá-lo.

Abanando a cabeça em sinal de desaprovação, Tadeu afirmou:

– Eu só ficarei aqui se você me amarrar a alguma árvore.

Ela exclamou:

– Não seria uma má ideia! Pelo menos, você ficaria longe de problemas.

O olhar de Cibele pousou no rosto de Tadeu por um breve instante. Ela afirmou:

– A sua permanência aqui só me trará mais sofrimento. Eu me recuso a entregá-lo à crueldade da minha mãe e ao sarcasmo de Florêncio. Em nome do amor que você sente por mim, deixe-me levá-lo de volta e permita que eu retorne sozinha.

Ele exclamou:

– Desista, Cibele! A minha vida só tem sentido quando eu estou ao seu lado. Não se preocupe; eu ficarei bem.

Olhando-o ternamente, ela comentou:

– Você permaneceu ao meu lado enquanto Eliel se afastou. Eu me pergunto se o ciúme dele não fala mais alto do que o amor que ele sente por mim. Eu sinto o meu coração encolher quando o imagino sozinho naquela árvore. Clara também sofrerá muito com a sua ausência.

Mergulhando nos olhos de Cibele, Tadeu afirmou:

– Você é o meu único amor. Nenhuma parte de mim ficou para trás. Eu sou seu e estou aqui por inteiro. Por que não me beija novamente antes de irmos para o castelo?

Ela exclamou:

– Não!… Eu não poderia!…

Tadeu, aproximando-se um pouco mais, perguntou:

– Você não poderia ou não deseja?…

Cibele, afastando-se lentamente, respondeu:

– Eu desejo, mas não posso. Foi uma péssima ideia você ter vindo, porque esta dimensão parece acrescentar ao seu olhar um brilho especial. O que está acontecendo comigo?… Em vez de estar assustada com a situação, eu estou me sentindo irresistivelmente atraída por você.

Ele sugeriu:

– Deixe essa atração aquecer o seu coração antes de você vestir a sua túnica e a sua máscara de frieza. Nós nunca paramos no primeiro beijo!… Por que desta vez não poderia haver um segundo ou um terceiro?… Não sabemos o que nos espera… Não resista, Cibele!… Será só mais um beijo. Eu posso ler nos seus olhos que você deseja esse beijo tanto quanto eu. Deixe que ele nos fortaleça antes de enfrentarmos o nosso destino.

Com o coração embriagado de paixão, Tadeu aproximou-se de Cibele e a beijou.

Quando o beijo terminou, Cibele desvencilhou-se do seu abraço para afirmar:

– Esse beijo foi o último. Eu não consigo esquecer a mágoa e a decepção que vi nos olhos de Eliel quando ele notou que o bracelete havia mudado de cor.

Tadeu comentou:

– A magia de Afrânio não deve funcionar nesta dimensão, porque o seu bracelete ainda continua apresentando a cor da energia de Eliel.

Ela sorriu antes de exclamar:

– Eu fico feliz que seja assim! Eu não me perdoaria se esta cor que eu tanto amo se apagasse. Vamos, Tadeu! É melhor terminarmos logo com isso.

Ele perguntou:

– Posso segurar a sua mão enquanto caminhamos?…

Ele sentiu um frio repentino gelar seu coração quando a ouviu dizer:

– Não. A partir deste momento, eu reassumo a minha posição de filha da bruxa que o retirou de sua dimensão para escravizá-lo. Tudo voltará a ser como era antes de eu conhecer Eliel. Se quiser desistir, ainda há tempo. Depois que entrarmos naquele castelo, será tarde demais. O que me diz?…

Tadeu começou a caminhar em silêncio, e duas lágrimas correram livres no rosto de Cibele.

FIM DO 20º CAPÍTULO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Sisi Marques
08/03/2014

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