NO AMOR E NA ESPERANÇA, TAMBÉM HÁ MAGIA

                                       Caetano e Verônica 

                            NO AMOR E NA ESPERANÇA, TAMBÉM HÁ MAGIA

Maria Luíza era uma jovem que realizava diversos trabalhos nas casas vizinhas, para garantir sua sobrevivência. Ela costumava ajudar na faxina, na costura, na cozinha, na lavanderia… Mas não havia quem conseguisse convencê-la a cuidar de crianças. Além de parecer não gostar de crianças, ela não permitia a aproximação de nenhum rapaz. Os pretendentes entristecidos costumavam dizer que Maria Luíza possuía uma rocha no lugar do coração. Embora ninguém conhecesse o seu passado, todos acreditavam que poderiam adivinhar o seu futuro: ela se afogaria em um mar de solidão…

Maria Luíza descansava apenas no domingo. Nesse dia, ela simplesmente desaparecia; e, mesmo que alguma emergência surgisse, ninguém conseguiria encontrá-la. Na verdade, o afastamento daquela rotina já se iniciava no sábado, à noite. Ela vestia o melhor traje que possuía: uma camisola branca e longa, confeccionada com um tecido espesso e macio.

Maria Luíza, após vestir-se, colocava uma vela no suporte improvisado e se embrenhava descalça na floresta. Ela parava em toda a árvore que encontrava e se agachava, aproximando a luz da vela de suas raízes. Desanimada levantava-se e, após amarrar uma fita em um dos galhos da árvore examinada, caminhava em direção a outra árvore. Quando amanhecia, ela interrompia a busca e seguia um atalho que a conduzia à casa de uma mulher que, ao vê-la chegar, começava a reclamar: “Está atrasada como sempre!… Ainda não desistiu de encontrá-los?!… Perde o seu tempo!… Aproveite o domingo para descansar… Do contrário, não lhe sobrará energia para enfrentar o trabalho que a espera durante a semana.”

Maria Luíza já havia desistido de perguntar à bruxa por que ela havia reduzido seu marido e sua filhinha de tamanho, e os escondera em uma casinha na base de uma das árvores. Certo dia, ao ouvir uma conversa entre a bruxa e uma de suas amigas, ela conseguiu descobrir o motivo. A bruxa havia formulado uma teoria e desejava que Maria Luíza confirmasse a sua veracidade: “No mundo dos humanos, ninguém é insubstituível.”

A princesa Maria Luíza compreendeu que a bruxa Ernestina, ao separá-la do príncipe Agenor e de sua filhinha Luíza Maria, e ao colocá-la em uma situação que ela teria que trabalhar arduamente para sobreviver, esperava que ela procurasse o carinho e o conforto perdidos em um novo lar. Mas o que Ernestina não sabia era que o coração de Maria Luíza pertencia a Agenor e a Luíza Maria.

Com o passar dos dias, das semanas e dos meses, o amor e a esperança de Maria Luíza, em vez de definharem, se fortaleceram. E Ernestina, que desconhecia a magia que há no amor e na esperança, ficou ensimesmada quando o seu feitiço se desfez e perdeu toda a eficácia contra aquele casal de amantes e sua filhinha.

Sisi Marques

Sobre Sisi Marques

Sou apaixonada pelos personagens e pelas histórias que povoam a minha imaginação. Amo escrever, porque é através da escrita que consigo registrar os momentos maravilhosos que essas realidades mágicas me proporcionam.
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