O GUARDIÃO DO CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE (Capítulo I)

Estávamos reunidos para o almoço de domingo quando a campainha tocou, e eu levantei para abrir a porta. Era Ermínio, o diretor da biblioteca. Convidei-o a entrar e a almoçar conosco. Ele recusou o convite e disse que aguardaria Afrânio no jardim, porque precisava falar com ele em particular. Fui chamar Afrânio, e ele saiu para conversar com Ermínio.

Quando Afrânio retornou para juntar-se a nós, ele disse a Anabel:

– Lamento, mas terei que me ausentar por alguns dias. Ermínio disse que fomos convocados para uma reunião de emergência.

Anabel protestou:

– Por que vocês devem comparecer a essa reunião se renunciaram à irmandade dos gênios; e você, Afrânio, até mesmo declinou da proposta de tornar-se membro do Conselho?

Ele respondeu:

– É um assunto de extrema urgência: a nebulosidade voltou a surgir no círculo luminoso que representa o Coração das Fontes da Juventude.

Crisélia disse:

– Dessa vez, Tadeu e Cibele não estão envolvidos; e o seu irmão ainda deve estar aprisionado na ânfora. Faz ideia do que possa ter acontecido?

Afrânio lançou um olhar em direção a Cibele antes de responder a Crisélia:

– Tadeu é o Guardião do Coração das Fontes e se recusa a unir-se à Feiticeira. Eu não compreendo por que ele também não foi convocado.

Cibele aventurou-se a dizer:

– Talvez Tadeu não seja o Guardião. É provável que o verdadeiro Guardião apareça nessa nova emergência.

Afrânio afirmou:

– Tadeu é o Guardião, e é você quem o prende a esta dimensão.

Foi a vez de Eliel intervir:

– Cibele não tem nada a ver com a relutância de Tadeu em aceitar o amor da Feiticeira.

Crisélia disse:

– Concordo com Eliel. Tadeu começou a se interessar por uma moça que fica ligando para cá o tempo todo. Ele sempre retorna as ligações.

Comentei:

– É natural que Tadeu não queira viver naquela dimensão. Ele adora nadar; seria difícil para ele passar horas admirando o lago à distância.

Afrânio disse:

– O que você está dizendo, Felizardo, não justifica o comportamento irresponsável e imaturo de Tadeu. Nada, absolutamente nada, seria negado ao Guardião. Naturalmente, ele não poderia nadar naquele lago, porque aquela água tem que permanecer pura para que possa continuar abastecendo todas as Fontes. Todavia, ele poderia sair daquela dimensão quando desejasse e ter acesso a mares, rios, lagos…

Eliel sorriu e abraçou Cibele quando a ouviu dizer:

– Talvez a nebulosidade simbolize a tristeza que a Feiticeira sente por estar tão sozinha. Eu gostaria muito de conhecê-la e oferecer-lhe a minha amizade.

Afrânio, esquadrinhando o rosto de Cibele, perguntou:

– Você teria coragem de colocar o anel de Tadeu e ir até lá?

Antes que Cibele pudesse responder, Eliel, com um olhar desafiador, exclamou:

– Esqueça, Afrânio! Não permitirei que use Cibele para obrigar Tadeu a voltar àquele lugar. Ela não irá e ponto final.

Eliel sentiu o coração congelar quando Cibele, revestindo a voz de ternura, disse:

– Eu já decidi. Por favor, procure compreender.

Numa tentativa desesperada de fazê-la mudar de ideia, ele afirmou:

– É ingenuidade sua pensar que a Feiticeira possa ter sentimentos e esteja precisando de sua amizade. Ela deve ser estranha e fria e só poderá magoá-la. Se pretende excluir-me da sua decisão, terá que me excluir da sua vida.

Foi a vez de Anabel dizer:

– Concordo plenamente com Eliel. Afrânio não tinha o direito de sugerir algo tão fora de propósito.

Parecendo ignorar o desespero de Eliel e as palavras de Anabel, Cibele, com o olhar colado no rosto de Afrânio, perguntou:

– Acredita que o anel que a Feiticeira entregou a Tadeu poderia conduzir-me em segurança até ela?

Afrânio respondeu:

– Acredito. Depois de Tadeu, você é a pessoa mais indicada para solicitar uma audiência com a Feiticeira. Afinal de contas, não foi ela quem ofertou a você a água da Fonte Mais Pura?!

Eliel, procurando represar seu desespero e sua decepção, apoiou os cotovelos sobre a mesa e cobriu o rosto com as mãos.

Cibele abraçou-o, dizendo ternamente:

– Nenhum mal acontecerá a mim. Eu ficarei bem. Por favor, Eliel, aprove a minha decisão.

Cibele sentiu o coração despedaçar quando ele declarou:

– Eu já lhe disse e não voltarei atrás: se você insistir em colocar aquele anel, o meu coração se fechará para sempre. Não moverei um dedo para ajudá-la e não derramarei uma única lágrima.

Cibele, ressentindo-se com a atitude de Eliel, fitou o rosto de Afrânio enquanto dizia:

– Precisamos agir antes que Tadeu volte da praia. Vá até o quarto dele e apanhe o anel.

Afrânio desapareceu e quando retornou, ouviu Eliel dizer a Cibele:

– Eu não presenciarei esse desatino e não me sentirei responsável por sua decisão. A vida é sua: faça dela o que quiser.

Ao ver Eliel desaparecer, Afrânio perguntou:

– Tem mesmo certeza de que deseja fazer isso? Eu não a culpo se desistir.

Cibele ordenou:

– Dê-me o anel.

Cibele colocou o anel, fechou os olhos e desejou estar no castelo da Feiticeira. Ela desapareceu minutos antes de Tadeu entrar dizendo:

– Cris, tenha um pouquinho de paciência. É só o tempo de eu tomar um banho e já descerei para almoçar.

Verificando que, além de Crisélia, apenas Anabel, Afrânio e eu estávamos na sala, Tadeu não conseguiu evitar a pergunta:

– Eliel e Cibele já foram?

Crisélia respondeu:

– Sim. E aquela sua amiga tornou a ligar logo depois que você saiu.

Ele comentou:

– Eu sei. Nós nos encontramos na praia.

Quando Tadeu deixou a sala, Anabel perguntou:

– Por que não contou a ele?

Crisélia respondeu:

– Haverá tempo de sobra para isso.

FIM DO 1º CAPÍTULO DA PARTE 1 (O GUARDIÃO DO CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Sisi Marques
04/10/2013

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA PARTE 1 (O GUARDIÃO DO CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE) DE “REALIDADE
MÁGICA – LIVRO 2”.

Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!

Sobre Sisi Marques

Sou apaixonada pelos personagens e pelas histórias que povoam a minha imaginação. Amo escrever, porque é através da escrita que consigo registrar os momentos maravilhosos que essas realidades mágicas me proporcionam.
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