A DIMENSÃO DOS ELFOS (Capítulo XIX)

Enquanto Eliel caminhava em direção à árvore que servira de ligação entre o Coração das Fontes da Juventude e aquele lugar; Cibele, por sua vez, não conseguia conciliar o sono. Esperava pelo amanhecer ansiosamente. Desejava sentir a presença de Eliel sorrindo para ela em toda a dimensão da floresta. Desejava tocar as árvores que ele havia tocado na intenção de encontrar um portal que o levasse de volta. Desejava tocar a última árvore que ele tocara. Desejava sentar-se à sua sombra e se permitir morrer de saudade. Jamais consentiria que o seu coração esquecesse Eliel.

Quando a manhã chegou, ela se encontrava envolta na mesma teia de desencanto e saudade. No momento em que Cibele se reuniu a Lorena e Derlo para a refeição matinal, Lorena aconselhou:

– Permaneça aqui em nossa companhia o quanto desejar; mas, por favor, desista da ideia de embrenhar-se na floresta para visitar a árvore que conduziu Eliel para longe do seu amor. Ele sofreu muito com a sua ausência, e você sofrerá ainda mais ao contemplar o portal que o enganou. Se você for ao salão dos espelhos e se concentrar no amor que sente por ele, talvez consiga ver o seu reflexo.

Cibele afirmou:

– Eu farei isso; mas apenas depois que contemplar a árvore do portal.

Lorena exclamou:

– Não se iluda em pensar que poderá reabri-lo com a magia do seu amor por Eliel!… Com o auxílio do cajado, Derlo conseguiu obter dele apenas uma leve luminosidade. O portal adormeceu, e não há como despertá-lo. Toda a sua energia se esvaiu ao conduzir Eliel para a outra dimensão. Tudo o que você verá será uma árvore igual a qualquer outra que existe naquela floresta.

Derlo disse:

– Infelizmente, Cibele, eu sou obrigado a concordar com Lorena: não foi uma boa ideia tê-la trazido para conhecer a árvore. Venha comigo ao salão dos espelhos para que eu possa usar o cajado com a intenção de ajudá-la a ver o reflexo de Eliel. Se o cajado não tiver êxito em localizá-lo, eu não consigo pensar em mais nada.

Cibele concordou e, após a refeição, Derlo conduziu-a ao salão dos espelhos. Lorena não os acompanhou, porque preferiu não interferir. Pedindo para Cibele concentrar-se no amor que sentia por Eliel, Derlo, após balançar o cajado com a intenção de liberar sua magia para aquele propósito, bateu-o levemente no espelho que era o centro da atenção de Cibele. No mesmo instante, uma imagem difusa começou a se esboçar e foi ganhando contornos e formas até tornar-se nítida e inquestionável. Cibele, profundamente emocionada, exclamou:

– Você conseguiu, Derlo! Eu posso ver Eliel!

Pulando de satisfação, Cibele aproximou-se dele para beijar-lhe o rosto em sinal de agradecimento. Ele aconselhou:

– Controle-se para que essa sua euforia não prejudique o meu sobrinho. Eu sairei para respeitar a sua privacidade.

Cibele exclamou:

– Você não pode! Use o cajado para que Eliel e eu possamos nos comunicar!

Derlo, balançando a cabeça para os lados, confessou:

– Eu sou um charlatão! Só você acredita em mim, e nem toda essa sua crença, nem todo esse seu desejo ardente de reencontrar-se com Eliel, nem toda a minha vontade de devolver o pai ao seu filho, conseguiriam reacender a minha magia. Ela se apagou de forma irremediável porque eu não soube fazer bom uso dela. Embora este cajado seja poderosíssimo, a minha magia é praticamente nula e só consegue extrair uma faísca dessa labareda. Se o Mago Benquisto estivesse aqui, se Afrânio ou Ermínio estivessem aqui, a situação seria outra. Só você não percebeu que eu não sou ninguém. Sinto decepcioná-la.

As lágrimas corriam livres pelo rosto de Cibele quando ela disse:

– Não lamente. Você é um grande amigo. E fez o que pôde para me ajudar. É uma pena que eu só consiga ver Eliel. Se eu pudesse ler os seus pensamentos! Ele parece apegado à árvore em que está recostado. Seria essa a mesma árvore da floresta só que em outra dimensão?

Derlo, dando de ombros, exclamou:

– Não, exatamente. A dimensão dos elfos não está sobreposta a esta. É como se existisse um corredor ligando as duas dimensões, e as árvores demarcassem os extremos desse corredor: a entrada e a saída.

Cibele concluiu:

– É como se esse “corredor” estabelecesse uma espécie de ponte entre as duas dimensões…

Derlo exclamou:

– Exato! Corredor, ponte, elo, fio, ligação, passagem… Invente o nome que desejar, mas a verdade continuará sendo sempre a mesma: não conseguiremos vencer essa distância… Não conseguiremos unir os dois extremos para que a entrada e a saída se transformem em um único ponto.

Cibele sugeriu:

– Eu poderia unir a minha magia à sua. Não seria impossível porque certamente estabelecemos algum tipo de vínculo quando você copiou as minhas memórias. Balance o cajado, encoste-o no espelho e segure a minha mão ao mesmo tempo. O meu amor por Eliel e a minha magia fortalecerão a sua magia e, juntos, conseguiremos extrair um pouco mais da energia do cajado. Está disposto a tentar?…

Derlo respirou profundamente e, sem hesitar, fez exatamente o que Cibele sugerira. Ela ascendeu às nuvens quando, após chamar o nome de Eliel, pôde ouvi-lo dizer:

– Meu amor, é você?!…

Transbordando de alegria, Cibele enviou um olhar significativo a Derlo antes de exclamar:

– Sim, Eliel, sou eu! Eu posso ver o seu reflexo no salão dos espelhos e posso ouvi-lo perfeitamente.

Extasiado, ele perguntou:

– Como isso é possível?!…

Cibele, entusiasmada, sugeriu:

– Pergunte a Derlo. Ele está aqui ao meu lado, manuseando o cajado. E também acabou de fazer um sinal para que nos apressemos. Ouça, querido, não saia daí. Essa provavelmente é a árvore através da qual você aportou nessa dimensão. Acompanhada de Derlo, eu irei até a árvore que o retirou desta dimensão. A magia do cajado, a magia de Derlo, a sua magia e a minha magia reunidas hão de unir os dois extremos. Entrada e saída hão de se transformar em um só momento. E esse momento único poderá trazê-lo de volta para mim. E não se esqueça: se toda a nossa magia não for suficiente, pense no nosso bebê. Ele não pode nascer sem um pai, e eu não quero que ele cresça longe do seu olhar atento e carinhoso.

Cibele deliciou-se com a expressão de surpresa e alegria no rosto de Eliel. Após alguns instantes de silêncio contemplativo, ele murmurou:

– Eu não sei o que dizer… É mesmo verdade?!…

Cibele respondeu:

– Sim. Diga que me ama e que deseja voltar para o nosso amor.

Eliel, com a voz revestida de carinho, disse:

– Eu te amo, Cibele, e também amo o nosso filho. Eu desejo de todo o coração voltar para a nossa família e me entregar ao nosso amor.

FIM DO 19º CAPÍTULO DA PARTE 3 (A DIMENSÃO DOS ELFOS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.
Sisi Marques
24/11/2013

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA O ÚLTIMO CAPÍTULO DA PARTE 3 (A DIMENSÃO DOS ELFOS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!

Sobre Sisi Marques

Sou apaixonada pelos personagens e pelas histórias que povoam a minha imaginação. Amo escrever, porque é através da escrita que consigo registrar os momentos maravilhosos que essas realidades mágicas me proporcionam.
Esta entrada foi publicada em A DIMENSÃO DOS ELFOS (LIVRO 2 - PARTE 3). Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>