A DIMENSÃO DOS ELFOS (Capítulo XVII)

Duas semanas se passaram antes que Cibele perguntasse a Crisélia:

– Por que você e Eliel não têm orelhas pontudas?

Crisélia sorriu antes de responder:

– A nossa mãe acidentalmente encontrou um portal para este mundo e apaixonou-se pelo nosso pai, e os dois se uniram contrariando a vontade dos pais dele. Dois anos após o meu nascimento, nasceu Eliel; e, nessa época, os nossos avós incentivaram o nosso pai a abandonar a árvore da nossa mãe e casar-se com uma jovem por quem ele se apaixonara. Entristecida com a ausência do nosso pai, a nossa mãe decidiu voltar à sua dimensão. Como a sua árvore já havia mudado de lugar, ela teve que procurar outro portal. Ela consumia muito tempo nessa busca, e Eliel e eu nos habituamos a ficar sozinhos. Quando a nossa mãe finalmente encontrou um portal, veio buscar-nos, mas apenas ela conseguiu atravessá-lo. Nós não éramos elfos integralmente. Éramos meio elfos e meio humanos, e o nosso lado humano impediu o nosso acesso ao mundo dos elfos. A nossa mãe ficou desesperada. Ela chamava os nossos nomes e insistia para que segurássemos suas mãos para que ela pudesse puxar-nos para dentro do portal. O seu desespero e a sua insistência, porém, foram inúteis porque uma barreira invisível bloqueou a nossa entrada e, consequentemente, impediu que ela saísse. O portal se fechou, e nunca mais a vimos.

Cibele comentou:

– Eliel disse que tanto a sua árvore quanto a dele costumam deslocar-se para outro lugar a cada dezessete meses. Isso seria um problema se ele não tivesse confeccionado os anéis com as fibras das árvores. Se a sua mãe, na época, desconhecia a possibilidade de se transportar para a árvore com a magia do anel, como ela conseguiu se reencontrar com a árvore dela?

Crisélia explicou:

– A árvore da minha mãe, provavelmente, deslocou-se para a dimensão na qual ela estava. Eliel e eu a vimos desaparecer e tivemos que procurar a nossa própria árvore. Depois, com o passar do tempo, Eliel quis ter uma árvore só para ele e a conserva até hoje.

Visivelmente preocupada, Cibele perguntou:

– Se Eliel estiver mesmo na dimensão dos elfos e não conseguir voltar, a árvore dele poderá deslocar-se para lá quando chegar a época da mudança?!… Como eu farei para encontrar uma árvore para o meu filho?!…

Para tranquilizar Cibele, Crisélia afirmou:

– Toda árvore tem magia, e essa magia, quando acrescida do desejo de independência e privacidade de um jovem elfo, transforma a árvore em um lar para esse elfo.

Tadeu, que retornava da academia, entrou na sala e achou engraçado quando ouviu Cibele perguntar:

– E quanto a mim?!… Já sou obrigada a viver longe de Eliel; como poderei viver longe da nossa árvore?!…

Aproximando-se de Cibele para cumprimentá-la e beijar-lhe o rosto, Tadeu exclamou em tom de gracejo:

– Você é uma bruxinha e não um elfo!

Depois, aproximando-se de Crisélia, antes de beijar-lhe o rosto, ele perguntou:

– Por que essa carinha, Cris? Não me diga que está embarcando nas preocupações exageradas de Cibele!…

Crisélia discordou:

– Cibele não está se preocupando à toa. Faltam vinte dias para a minha árvore e a árvore de Eliel se deslocarem.

Tadeu afirmou:

– Você apresentou o problema e a solução ao mesmo tempo. Na impossibilidade de acessar a árvore de Eliel, Cibele poderá se refugiar na sua.

Crisélia apenas sorriu e retirou-se para preparar o jantar.

Tadeu, embalado pelo pulsar de seu coração apaixonado, aventurou-se a dizer a Cibele:

– Olhe para mim como se esta fosse a última vez que pudéssemos nos encontrar. O que você sente?

Com o olhar colado no rosto de Tadeu, Cibele sentiu o coração palpitar antes de responder:

– Eu me sinto reviver. Um calor inexplicável envolve o meu coração, e eu sinto vontade de beijá-lo.

Tadeu, com o coração em chamas, mergulhando nos olhos de Cibele, beijou-a apaixonadamente. Quando o beijo terminou, ele não conseguiu mais ter acesso ao olhar de Cibele. Confuso, comentou:

– No histórico de nossos beijos roubados, este foi o mais apaixonado e o mais intenso. Você não me beijaria desse modo se não estivesse apaixonada por mim. Você precisa do meu amor tanto quanto eu preciso do seu. Eu te amo, Cibele. Aceite casar-se comigo. Eu prometo amar o filho de Eliel como se fosse meu. Seja minha esposa. Responda: você quer se casar comigo?…

A confusão intensificou-se na mente e no coração de Tadeu quando Cibele começou a chorar. Ele perguntou:

– Por que está chorando?!… Diga a verdade… Não precisa negar o que sente.

Cibele voltou a contemplar o rosto de Tadeu. Olhando em seus olhos ternamente, ela disse:

– Perdoe-me por trair o seu amor e a sua amizade. Você é muito parecido com Eliel e faz com que eu me lembre dele o tempo todo. Quando eu o beijei, eu não estava beijando você e sim a lembrança que tenho dele. Eu não posso me casar com você, porque eu continuaria amando Eliel com todas as forças do meu ser. Eu sinto muito, Tadeu… Eu sinto muito… Eu preciso voltar para a árvore.

Tadeu exclamou:

– Não, senhora! Não ouviu o que Crisélia disse?… Se Eliel estiver mesmo na dimensão dos elfos, daqui a vinte dias a árvore dele se deslocará para lá, e você não poderá mais ter acesso a ela.

Cibele confidenciou:

– Eu tomei uma decisão. Eu pretendo deixar que a árvore de Eliel me conduza até ele. Se a árvore seguir Eliel até a dimensão dos elfos, estará tudo resolvido porque eu poderei reencontrá-lo.

Tadeu exclamou:

– Você enlouqueceu de vez! Precisa proporcionar ao seu filho a oportunidade de escolher se quer viver no mundo dos homens ou no mundo dos elfos! E a resolução de comprar uma casa para que ele pudesse ter uma vida normal?!… No mundo dos elfos, não há casas; há apenas árvores!… Pelo menos é assim que eu imagino que seja… Além disso, você é uma bruxa e não um elfo! Não conseguiria morar eternamente dentro de uma árvore. Lembre-se de que você ingeriu a água da Fonte da Juventude.

Fitando o rosto de Tadeu, Cibele confidenciou:

– Derlo estava certo quando afirmou que havia uma confusão na minha mente em relação a vocês dois.

Tadeu afirmou:

– Apenas a sua mente está confusa. O seu coração, no entanto, escolheu Eliel. E eu respeito essa decisão. Só não me peça para me afastar do seu convívio. E quanto ao seu filho, embora ele seja apenas meu sobrinho, não me negue o prazer de estar por perto para vê-lo crescer.

Tadeu e Cibele continuaram conversando na sala e estavam tão alheios a tudo que se assustaram no momento em que Derlo apareceu para dizer a Cibele:

– Eu vim cumprir a promessa de levá-la ao portal que conduziu Eliel à outra dimensão.

Olhando para a mão de Derlo, Tadeu perguntou:

– Por que está usando o anel de Guardião?

Derlo comentou:

– Foi este anel que me ajudou a localizar a árvore que abriga o portal. Eliel deve tê-lo deixado cair na grama quando realizava a travessia. Com receio de perdê-lo, coloquei-o no dedo.

Endereçando um olhar a Cibele, Derlo perguntou:

– Você se importaria de conversarmos a sós por um momento?

Cibele disse:

– Pode falar. Não há segredos entre mim e Tadeu.

Procurando inutilmente esconder seu embaraço, Derlo perguntou:

– Você acredita que possa existir uma possibilidade, por mais remota que seja, por mais improvável que seja, de ser eu o Guardião?

Cibele e Tadeu entreolharam-se sorrindo. Aproximando-se de Derlo, Tadeu ordenou:

– Devolva-me o anel.

Derlo, retirando-o, disse:

– Pode ficar com ele… Eu não pretendia roubá-lo.

Ignorando as palavras de Derlo, Tadeu segurou o anel enquanto afirmava:

– Este anel é a causa de nossos problemas. Se eu tivesse conseguido colocá-lo no momento em que Eliel pediu-me que fosse verificar se Cibele estava bem, ele ainda estaria aqui ao lado dela. Mas o anel recusou a mim e aceitou Eliel. Está vendo como ele reduz de tamanho e não cabe no meu dedo?!… Agora pegue-o de volta e veja o que acontece quando o aproxima de seu dedo.

Tadeu devolveu o anel para Derlo. Entre surpreso e confuso, Derlo colocou novamente o anel e verificou que ele se ajustava perfeitamente.

Foi Cibele quem perguntou:

– Era sobre Lorena que você desejava falar?

Encabulado, Derlo confidenciou:

– Sim. Eu não consigo esquecer aquele olhar e aquele sorriso. Você acredita que haveria alguma possibilidade de Lorena aceitar o meu amor?…

Cibele afirmou:

– O anel já o aceitou. Agora só falta você fazer essa pergunta a ela.

Derlo, balançando a cabeça para os lados, exclamou:

– Eu não me atreveria!… Receio que ela possa se sentir ofendida. Se voltássemos para lá agora mesmo, você poderia conversar com ela e perguntar o que ela pensa a meu respeito. Você se importa?

Cibele sorriu. Aproximou-se de Tadeu para beijar-lhe o rosto. Depois, aproximou-se de Derlo. Agitando o cajado no ar, ele segurou sua mão, e os dois desapareceram diante do olhar preocupado e amoroso de Tadeu.

FIM DO 17º CAPÍTULO DA PARTE 3 (A DIMENSÃO DOS ELFOS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.
Sisi Marques
20/11/2013

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA PARTE 3 (A DIMENSÃO DOS ELFOS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!

Sobre Sisi Marques

Sou apaixonada pelos personagens e pelas histórias que povoam a minha imaginação. Amo escrever, porque é através da escrita que consigo registrar os momentos maravilhosos que essas realidades mágicas me proporcionam.
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