A DIMENSÃO DOS ELFOS (Capítulo XV)

Precisamos fazer uma viagem ao passado e aportar no momento em que Eliel, percebendo que o anel de Guardião cabia perfeitamente em seu dedo, girou-o e foi parar no salão de banho, ao lado de Lorena. Extremamente preocupado, ele perguntou:

– Onde está Cibele?

Lorena, ainda debilitada e tremendo de frio, respondeu:

– Ela saiu para ir buscar Tadeu. Como você chegou aqui?

Decepcionado, Eliel respondeu:

– Eu vim no lugar dele para buscar Cibele. Por que faz tanto frio?!… Não existe uma lareira neste castelo, para que possamos nos aquecer junto ao fogo?!

Eliel usou sua magia para fazer surgir dois casacos e entregou um deles a Lorena enquanto aguardava a resposta à pergunta que fizera. Notou, porém, que os dragões cessaram o seu lamento, a ventania não mais açoitava as paredes do castelo, e o frio começava a diminuir de intensidade. Comentou:

– Parece que tudo está voltando ao normal. Eu preciso ir. Não desejo que Cibele volte a este lugar para me procurar.

Ele girou o anel de Guardião várias vezes; mas, para a sua decepção, permanecia sempre no mesmo lugar. Exasperado, perguntou:

– Por que o anel não funciona?!… A magia do anel não pode falhar justo agora! Liberte-me, Lorena. Deixe-me ir, por favor.

Lorena exclamou:

– Não posso ser responsabilizada por tudo o que ocorre aqui! Não sou eu quem o prende! É a magia deste lugar! Eu mesma sairia daqui se pudesse!

Eliel, num gesto de impaciência, deixou o salão de banho e dirigiu-se ao salão dos espelhos. Surpreendeu-se ao verificar que a porta estava trancada. Percebendo a presença de Lorena ao seu lado, ele ordenou:

– Abra esta porta! Você não conseguirá me separar de Cibele!

Lorena usou sua magia para destrancar a porta enquanto comentava:

– Isolei o salão por medida de segurança. Lembre-se de que Florêncio, para atrair Cibele, conseguiu reabrir o portal que Derlo havia forjado em um dos espelhos com o auxílio do cajado.

Eliel ordenou:

– Se não é você quem controla este lugar, revele quem é. Não conseguirá continuar enganando a si mesma por muito tempo. Foi o seu estado de espírito que provocou toda aquela reação adversa que acabamos de presenciar. Não pense que me tornarei um substituto para Tadeu. Amo Cibele e lhe direi esta verdade mil vezes por dia para convencê-la de que o meu lugar não é aqui, e sim ao lado dela. Retire-se para que eu possa contemplar o rosto da mulher que amo.

Lorena afastou-se magoada; e Eliel, sentindo-se livre de sua presença, deu vazão às lágrimas na esperança de expulsar o medo que sentia de perder Cibele para Tadeu na sua ausência.

Na manhã seguinte, um pouco mais calmo e conformado com sua desventura, Eliel procurou Lorena para dizer:

– Perdoe-me o descontrole de ontem. Eu não tinha o direito e nem a intenção de magoá-la ou ofendê-la. Acredito que você seja uma vítima das circunstâncias tanto quanto eu. Aceite a minha amizade, porque é só o que eu tenho a lhe oferecer. Eu preciso ir à floresta. Pode me emprestar um de seus dragões?

Lorena respondeu:

– Eu aprecio o seu amor pela natureza. Sinta-se à vontade para ir e vir quando desejar. Por que, antes de sair, você não me acompanha na refeição matinal? Eu gostaria que me contasse como foi que Cibele convenceu um gênio tão insensível e egoísta quanto Derlo a ajudá-la.

Os dias em que Eliel passou no Coração das Fontes da Juventude resumiram-se em suas breves conversações com Lorena durante as refeições, suas incursões diárias à floresta e suas frequentes visitas ao salão dos espelhos para contemplar o reflexo de Cibele.

Certo dia, enquanto ele inspecionava uma das árvores, tocou-a com a mão que ainda ostentava o anel de Guardião e notou que o seu toque despertara uma luminosidade latente no tronco da árvore. Repetiu o gesto e pôde sentir que o anel alargou e saiu de seu dedo. Com a outra mão, na qual usava o anel que ele mesmo confeccionara, Eliel tocou novamente o tronco e sentiu sua mão e seu braço afundarem. Ele sorriu e puxou o braço de volta. Uma emoção indescritível impulsionava-o a mergulhar naquela energia que parecia ser a única porta capaz de devolvê-lo ao amor de Cibele. Ele não teve dúvida, caminhou de encontro à árvore e desapareceu misteriosamente.

Para sua decepção, no entanto, o portal o conduziu a uma dimensão que ele jamais imaginara poder visitar: a sua própria. Eliel deparava-se com o mundo para o qual sua mãe retornara sem poder levar seus dois filhos. Em outra circunstância, aquele teria sido um momento mágico: a oportunidade de reencontrar-se com sua mãe. Entretanto, essa perspectiva ficava nublada pelo receio do alastramento do abismo que se instalara entre ele e Cibele.

Eliel foi bem recebido e se sentia diferente apenas pelo fato de não possuir orelhas pontudas. Tanto ele quanto Crisélia herdaram de seu pai humano o formato de suas orelhas. Após alguns dias de exploração, Eliel teve uma agradável surpresa. Uma jovem que se assemelhava a Crisélia aproximou-se dele para perguntar:

– Eliel, é você?!… Meu querido, que surpresa!… Sou eu, Crisbela, sua mãe!

Eliel, sem conseguir pronunciar uma única palavra, abraçou-a emocionado. Após entregar-se àquele feliz e inesperado reencontro, Crisbela afastou-se um pouco de Eliel para poder contemplar o rosto que guardara na mente e no coração. Ela comentou:

– Sempre acalentei a esperança de rever os meus filhos amados. Como está Crisélia?!… Venha para a minha árvore e conte-me tudo sobre vocês.

Eliel dirigiu-se à árvore de sua mãe e levou várias horas para contar a ela o que acontecera a partir do instante em que ela se vira forçada a abandoná-los. A sua narração culminou no ponto em que ele confidenciou o desejo ardente de reencontrar Cibele.

FIM DO 15º CAPÍTULO DA PARTE 3 (A DIMENSÃO DOS ELFOS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.
Sisi Marques
20/11/2013

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA PARTE 3 (A DIMENSÃO DOS ELFOS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!

Sobre Sisi Marques

Sou apaixonada pelos personagens e pelas histórias que povoam a minha imaginação. Amo escrever, porque é através da escrita que consigo registrar os momentos maravilhosos que essas realidades mágicas me proporcionam.
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