FLORÊNCIO (Capítulo XVIII)

Nós nos reunimos novamente. E, contrariando as nossas expectativas, verificamos que existia um abismo ainda maior do que antes entre Eliel e Cibele. Embora Eliel estivesse sentado ao seu lado, ela não parecia feliz. Dessa vez, Tadeu não sentou no sofá; preferiu apanhar uma cadeira na sala de jantar e sentou-se próximo à janela. Após a exaustiva e infrutífera pausa, Cibele começou a narrar o seu encontro com Derlo:

– Ao me aproximar da ânfora, confesso que estava amedrontada. Quando confidenciei a Derlo o meu desejo de libertá-lo e a necessidade que tinha de que ele me ajudasse, ele me aconselhou a afastar-me da ânfora depois que eu rompesse o lacre. Uma fumaça cor de terra precedeu o seu aparecimento. No início, ele quis parecer mais terrível do que era. Depois pensou que eu tencionasse aprisioná-lo em outro recipiente para entregá-lo a Florêncio. Quando os mal-entendidos foram sanados, ele finalmente concordou em me ajudar. Eu não imaginava que Derlo fosse tão parecido fisicamente com Afrânio. Embora eu ainda receasse que ele pudesse trair a minha confiança, ele era a minha única esperança de conseguir desvencilhar-me daquela situação angustiante. Quando eu lhe falei sobre o portal no salão dos espelhos, ele se surpreendeu com a habilidade de Florêncio no domínio de sua magia. Segundo Derlo, se Florêncio não fosse tão poderoso, ele não teria conseguido reabrir o portal extinto, que tinha sido aberto e inutilizado pelo próprio Derlo com o auxilio do cajado do Mago Benquisto.

Após uma breve pausa, Cibele retomou:

– Depois que libertei Derlo e assumi a responsabilidade pelo meu ato, ele mencionou a necessidade de copiar as minhas memórias para poder assumir a minha aparência de modo convincente e conseguir distrair Florêncio para que eu pudesse escapar. Ele colocou uma mão sobre a minha fronte e a outra sobre o alto da minha cabeça e pediu-me que fechasse os olhos. Senti apenas um leve torpor e fiquei impressionada com sua sensibilidade quando ele comentou que havia uma confusão de sentimentos na minha mente. Ao chegarmos ao salão dos espelhos, ele segurou a minha mão e puxou-me para dentro do portal como havíamos combinado.

Parando novamente, Cibele apanhou o copo de suco que estava sobre a mesinha e, após beber um pouco, devolveu-o à bandeja e finalizou:

– Florêncio felizmente cumpriu o que prometera. A saída do portal estava direcionada para os arredores do castelo da minha mãe. Derlo assumiu a minha aparência, desejou-me sorte e caminhou em direção ao castelo. Seguindo a direção oposta, entrei na floresta e, com o auxílio da esfera, localizei o portal. Inseri a chave na abertura, desci a escada e fui sair no corredor que termina com a escada que conduz ao alçapão. Com a própria chave, localizei a abertura, virei a chave, levantei o alçapão e vislumbrei o rosto de Tadeu. Ele me ajudou a sair, e nós nos abraçamos e nos beijamos transbordando de felicidade por eu ter conseguido voltar. Eliel, que também aguardava o meu retorno, apareceu sem que o notássemos. Ele presenciou o beijo e zangou-se, porque aquela não foi a primeira vez que beijei Tadeu. Ferido em seu ciúme, ele me negou o seu amor ao me receber. Ele voltou para a nossa árvore, imaginando que eu fosse trocar o seu amor pelo amor de Tadeu. Em vez disso, nós nos despedimos; eu fui para a árvore de Crisélia, e Tadeu retornou ao Coração das Fontes. É tudo.

Com o rosto coberto de lágrimas, Cibele despejou as palavras:

– Lamento não poder ficar, porque não me sinto bem. Eu esperava chegar aqui e rir do infortúnio de Florêncio por ter encontrado alguém à sua altura…

Cibele parou de falar, porque o choro incessante não permitiu que continuasse. Levantou a mão direita e, num estalar de dedos, desapareceu.

FIM DO 18º CAPÍTULO DA PARTE 2 (FLORÊNCIO) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.
Sisi Marques
02/11/2013

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA O ÚLTIMO CAPÍTULO DA PARTE 2 (FLORÊNCIO) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!

Sobre Sisi Marques

Sou apaixonada pelos personagens e pelas histórias que povoam a minha imaginação. Amo escrever, porque é através da escrita que consigo registrar os momentos maravilhosos que essas realidades mágicas me proporcionam.
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