O GUARDIÃO DO CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE (Capítulo XXIII)

Lorena voltou ao salão dos espelhos e surpreendeu-se ao ver Eliel desesperado, girando seu anel na esperança de que ele o levasse até Cibele. Ela disse:

– O seu anel não conseguirá vencer a distância; use o anel de Tadeu.

Eliel, continuando a girar seu anel, comentou:

– Eu o devolvi a ele.

Lorena deixou o salão para encontrar-se com Tadeu e pedir-lhe o anel. Eliel, por sua vez, ao contemplar o espelho na mão de Cibele, começou a chamá-la na esperança de que pudessem se comunicar. Cibele, sem poder suspeitar que Eliel a observava, afastou o tapete com sua magia e colocou a esfera no chão para que ela fosse atraída para o olho do portal. A esfera deslizou e mostrou-lhe o local exato onde ela deveria inserir a chave.

Tadeu entrou no salão acompanhado de Lorena e alarmou-se ao ver Cibele retirar a chave do orifício e levantar o alçapão. Ele estava atônito; e, para despertá-lo do torpor, Lorena gritou:

– Entregue o anel a Eliel.

Tadeu entregou-lhe o anel, mas Eliel não conseguiu colocá-lo, porque o anel inexplicavelmente reduzira de tamanho. Tadeu pegou-o de volta e colocou-o desejando estar no porão. O anel serviu perfeitamente, e ele desapareceu do salão de espelhos para surgir no porão. Eliel e Lorena sentiram certo alívio ao vê-lo aproximar-se de Cibele.

Surpresa com o súbito aparecimento de Tadeu, Cibele perguntou:

– O que faz aqui?! Como descobriu que eu tencionava partir?!

Ela já havia começado a descer a escada que a levaria ao corredor situado na outra dimensão. Tadeu, estendendo-lhe a mão, implorou:

– Por favor, Cibele, volte. Está tudo bem.

Ela interrompeu a descida para dizer:

– Não ouse me seguir. Este é o meu destino e não o seu. Seja feliz, meu amigo.

Tadeu despejou as palavras:

– Olhe em seu espelho e veja o rosto de Eliel. Ele está tentando alcançá-la para impedir que você cometa essa loucura.

Cibele, ainda parada no terceiro degrau da escada, exclamou:

– É mentira! Eu perdi Eliel para Lorena e jamais tornarei a vê-lo.

Cibele desceu mais um degrau e Tadeu, compreendendo que palavras não conseguiriam detê-la, num gesto desesperado, aproximou-se e fez um movimento para segurá-la. Cibele, revestindo seu olhar com farpas de gelo, exclamou:

– Desista, Tadeu! Pense em mim como um sonho mau que o assombrou durante todos esses anos.

As lágrimas transbordaram dos olhos de Cibele, e ela começou a soluçar. Tadeu, tentando segurar suas próprias lágrimas, teve a ideia de dizer:

– Eu nadei na piscina… Veja o anel: sou eu o Guardião. Deixe-me ajudá-la a subir. Tanto Eliel quanto Lorena estão nos observando no salão dos espelhos. Se você se concentrar, conseguirá vê-los e talvez até ouvi-los.

Cibele parara de chorar e, em seus olhos, havia o brilho da esperança. Fitando o rosto de Tadeu com uma ternura irresistível, ela perguntou:

– É verdade mesmo que eu poderei tornar a ver Eliel?!…

Tadeu disse:

– Não mentirei a você. Ele está preso naquela dimensão, porque não consegue mais usar o meu anel. Você precisa me ajudar a encontrar um meio de trazê-lo de volta.

Cibele estendeu a mão para Tadeu ajudá-la a subir. Ela estava tremendo, e ele a abraçou para confortá-la. Ela confidenciou:

– Eu nunca senti tanta angústia em toda a minha vida! Eu não desejava voltar para a minha dimensão; eu só precisava fugir de mim mesma e do amor que sinto por Eliel!

Tadeu conduziu-a ao sofá enquanto lhe dizia:

– Se você não se acalmar, não conseguiremos ajudar Eliel a voltar para você.

Compadecido de seu silêncio, ele exclamou:

– Não!… Você não está bem!… Venha, é melhor você descansar na casa de Crisélia. Concorda?!…

Cibele fez um sinal afirmativo com a cabeça. E Tadeu, num gesto impensado, olhou para o alto antes de exclamar:

– Eu sinto muito, Eliel!

Ao ouvi-lo dirigir-se a Eliel, Cibele perguntou com a voz entrecortada:

– Ele pode mesmo nos ouvir?

Tadeu respondeu afirmativamente, e Cibele, imitando o gesto de Tadeu, fitou o vazio acima de seus olhos e perguntou:

– Eliel, está me ouvindo?!… Por favor, querido, responda… Consegue me ouvir?!…

Cibele retirou seu espelho do bolso da túnica e, segurando-o com as duas mãos, procurou visualizar o rosto de Eliel. Chamou o seu nome várias vezes e, após várias tentativas frustradas, afirmou:

– Você tem razão: hoje não conseguiremos. Este foi o pior dia da minha vida.

Tadeu comentou:

– Já está ficando tarde. Se não formos embora, acabaremos atraindo a atenção de Afrânio e Anabel.

Cibele, olhando nos olhos de Tadeu, disse:

– Se eu não tivesse conhecido Eliel, você teria sido o único amor da minha vida. As alegrias e adversidades que compartilhamos criaram um laço tão forte e generoso entre nós que seria capaz de envolver também Eliel e Lorena. É impossível que não consigamos agora nos juntarmos a eles. Empreste-me seu anel; ele não poderá me negar sua magia.

Com o olhar colado no rosto de Cibele, Tadeu retirou o anel e entregou-o a ela. Para a decepção dos dois, porém, o anel novamente reduziu sua circunferência. Tadeu comentou:

– O anel comportou-se do mesmo modo quando Eliel tentou vir aqui para impedir que você partisse. Era ele quem deveria estar aqui e não eu.

Cibele disse:

– Por favor, Tadeu, não se aborreça com a minha insistência: eu preciso ver Eliel. Se eu concordar em ir para a casa de Crisélia, nem mesmo aquele chá conseguirá apaziguar o meu coração. A magia do seu anel há de nos levar ao encontro deles. Deseje permanecer aqui e coloque o anel novamente em seu dedo. Depois segure a minha mão e com o auxílio do polegar gire o anel, mantendo em seu coração o desejo de nos levar ao Coração das Fontes.

Tadeu fez exatamente como Cibele havia sugerido, mas eles não conseguiram alçar voo e permaneceram no porão. Cibele comentou:

– No início do nosso romance, Eliel enganou-me certa vez. Eu pretendia voltar sozinha para a minha dimensão, porque eu temia que algum mal acontecesse a ele. Quando nos beijamos, ele girou o anel, e eu não pude impedir que ele me acompanhasse: o nosso amor nos conduziu até lá. Se você fizesse o mesmo, a nossa amizade certamente nos levaria até eles.

Tadeu, balançando a cabeça para os lados, exclamou:

– Não! O seu sofrimento está nublando o seu raciocínio. Você sabe o que esse beijo poderia significar: Eliel não nos perdoaria.

Resignada, Cibele concordou:

– Você tem razão. Eu prefiro suportar a dor da saudade a enfrentar o ciúme de Eliel. Em vez de ir à casa de Crisélia, eu voltarei à árvore, porque lá eu consigo sentir a presença dele.

Contemplando a tristeza em seu rosto, Tadeu disse:

– Não se preocupe. Encontraremos um modo de trazê-lo de volta. Acabei de lembrar-me do portal… Eu estava sem o anel e consegui retornar. Talvez ele consiga atravessá-lo.

Desanimada, Cibele afirmou:

– O portal barrará a saída dele do mesmo modo que bloqueou a minha entrada. Por favor, volte ao Coração das Fontes e diga a Eliel que eu o amo.

Cibele desapareceu num estalar de dedos. Tadeu, em vez de tirar e recolocar o anel, simplesmente girou-o e, no instante seguinte, retornava ao salão dos espelhos. Sentando-se em um longo banco almofadado que existia no centro do salão, ele começou a massagear as costas e a nuca com movimentos circulares. Eliel comentou:

– Você deveria tê-la beijado… Você a teria trazido até aqui; e, depois, a magia do meu anel somada à magia de Cibele ter-nos-ia levado de volta.

Tadeu disse:

– Ainda resta o portal. Se Derlo conseguiu utilizá-lo para entrar, você poderá utilizá-lo para sair.

Lorena comentou:

– Está ficando tarde, e eu preciso me recolher. Entrarei no sonho de Cibele para confortá-la.

Quando Lorena deixou o salão dos espelhos, Tadeu disse a Eliel:

– Vá descansar… Cibele ficará bem. Venha, eu lhe farei companhia.

FIM DO 23º CAPÍTULO DA PARTE 1 (O GUARDIÃO DO CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.
Sisi Marques
15/10/2013

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA PARTE 1
(O GUARDIÃO DO CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.
Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!

Sobre Sisi Marques

Sou apaixonada pelos personagens e pelas histórias que povoam a minha imaginação. Amo escrever, porque é através da escrita que consigo registrar os momentos maravilhosos que essas realidades mágicas me proporcionam.
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