O GUARDIÃO DO CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE (Capítulo XIX)

Enquanto Tadeu percorria o caminho que o levaria à praia; Eliel, no salão dos espelhos, contemplava o rosto de Cibele marcado pela tristeza, pela saudade e pelas lágrimas. Ele ouviu o choro de seu próprio coração e percebeu que o momento de retornar chegara. Surpreendeu-se, entretanto, ao ver Lorena entrar, transbordando de alegria. Segurando as mãos de Eliel, ela exclamou eufórica:

– Ele está aqui, Eliel! Ele voltou!

Eliel, confuso, perguntou:

– Quem voltou?!…

Ela respondeu sorrindo:

– Tadeu!… Eu sempre soube que ele era o Guardião.

Eliel, intrigado, perguntou:

– Como ele conseguiu voltar se o anel está comigo?

Lorena, não cabendo em si de felicidade, afirmou:

– Porque ele é o Guardião.

Eliel disse:

– Espere aqui; eu irei recebê-lo.

Eliel desceu e escolheu o dragão que lhe pareceu mais dócil para conduzi-lo à praia. Tadeu foi ao seu encontro, e Eliel perguntou:

– O que faz aqui?

Tadeu procurou esconder seu embaraço quando respondeu:

– Eu vim buscá-lo, porque é do seu amor que Cibele necessita.

Eliel rebateu prontamente:

– Não teria se dado a esse trabalho se ela tivesse aceitado o seu amor.

Tadeu perguntou:

– Por que decidiu vir para cá encontrar-se com Lorena?!… Tenciona mesmo tornar-se o Guardião?!…

Eliel, revestindo-se de altivez, exclamou:

– Por que a surpresa?! Não foi você quem disse que eu era… Quais foram as palavras que usou para me rotular?!…

Eliel ficou parado, observando a dúvida estampar-se no rosto de Tadeu. Finalmente acabou dizendo:

– Suba e segure-se bem. Seria uma indelicadeza mandá-lo embora sem nem ao menos convidá-lo a entrar.

Tadeu sentia-se confuso. Montados no dragão, eles sobrevoaram a praia, o círculo de fogo e o lago. Quando atingiram o pátio, Eliel disse:

– Você não precisava ter bancado o herói vindo buscar-me, porque o seu anel poderia conduzir-me de volta no momento que eu desejasse.

Retirando o anel de seu bolso e devolvendo-o a Tadeu, Eliel acrescentou:

– Se está aqui apenas porque veio buscar-me, mantenha este anel em seu dedo e use-o quando achar necessário. Trate Lorena com toda a consideração que ela merece e não mencione o nome de Cibele em sua presença.

Tadeu aventurou-se a dizer:

– Eu não acredito que você tenha renunciado ao amor de Cibele para tornar-se o Guardião e permanecer aqui ao lado de Lorena.

Para provocá-lo, Eliel perguntou:

– E por que não?! O que há de errado com este lugar ou com Lorena?! Já sei… “para sempre” é muito tempo, e a minha natureza volúvel e inconstante acabaria desejando substituí-la também.

Tadeu comentou:

– Você não consegue me perdoar pelo que eu disse. Eu confesso: desejava mesmo que você se apaixonasse por outra mulher para que eu pudesse ter acesso ao coração de Cibele. Eu posso ter sido egoísta, mesquinho; entretanto, uma coisa é certa: eu sempre admirei você e, portanto, jamais poderia julgá-lo mal. O seu lugar é ao lado de Cibele.

Eliel perguntou:

– E onde é o seu lugar, Tadeu?

Ele confidenciou:

– Cibele e eu estávamos conversando a seu respeito na sala de Crisélia, e eu a abracei para confortá-la. Eu disse que ela não precisaria temer a solidão se você não voltasse. Ela deixou bem claro que ninguém poderia preencher o seu lugar. Cibele não teme a solidão e sim a tristeza e a saudade que já começaram a apossar-se de seu coração. No momento em que ela levantou a mão direita e estalou os dedos desaparecendo no ar, um receio terrível invadiu a minha alma. Eu fiquei desesperado, subi na moto e fui parar no Poço das Fadas.

Eliel, contorcendo levemente o rosto, interrompeu Tadeu quando disse:

– É melhor subirmos porque terei que partir. Sinto falta de Cibele, e o distanciamento da minha árvore já começou a provocar-me mal-estar.

Antes que Eliel conduzisse Tadeu ao salão dos espelhos, levou-o a outro salão que ostentava, em dois terços de sua extensão, uma cavidade esculpida no chão de pedra e recoberta por uma quantidade enorme de água cristalina. Tadeu comentou:

– Se eu não estivesse tão deslocado, aproveitaria a ocasião para mergulhar nessa maravilha.

Eliel confidenciou:

– Lorena disse que foi sugestão de Cibele. Lorena o ama e perguntou a ela como poderia tornar sua estadia agradável.

Eliel, num piscar de olhos, fez surgir um calção, uma toalha e um roupão. Colocando-os sobre um banco que havia em um canto do salão, acrescentou:

– Vista o calção e aproveite o presente.

Indeciso, Tadeu comentou:

– Não sei se devo. Poderá parecer atrevimento meu. Talvez eu devesse primeiro falar com Lorena.

Eliel disse:

– Eu pedirei para ela descer e encontrá-lo aqui.

Quando Eliel deixou o salão, Tadeu puxou o cabelo para trás com ambas as mãos e prendeu-o com um elástico. Despiu-se, vestiu o calção e mergulhou na piscina improvisada.

FIM DO 19º CAPÍTULO DA PARTE 1 (O GUARDIÃO DO CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.
Sisi Marques
14/10/2013

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA PARTE 1
(O GUARDIÃO DO CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.
Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!

Sobre Sisi Marques

Sou apaixonada pelos personagens e pelas histórias que povoam a minha imaginação. Amo escrever, porque é através da escrita que consigo registrar os momentos maravilhosos que essas realidades mágicas me proporcionam.
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