DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XLII)

Na manhã seguinte, Cibele sentia-se insegura em relação ao que deveria fazer para libertar-se da insistência de Florêncio. O uso do pingente conferia-lhe um brilho todo especial, que desapareceria se ele a obrigasse a tirá-lo. Lembrava-se dos beijos que ofertara a Tadeu e se lamentava por terem sido tão poucos. Lembrava-se de Eliel, e o seu coração se desfazia em lágrimas. Jurou a si mesma que jamais pertenceria a Florêncio. Se nem mesmo a atração que ela sentia por Tadeu foi forte o bastante para levá-la a trair o amor que devotava a Eliel, como poderia permitir-se ceder aos caprichos de um bruxo de mente e coração enfermos?!… Não!… Definitivamente, não. Ela precisava desvencilhar-se daquela situação insana. Cibele revestiu-se de coragem e, após respirar profundamente, desceu as escadas e sentou-se à mesa na extremidade oposta a Florêncio. Ele comentou:

– Esta mesa é longa demais para que eu me sente em uma ponta, e você na outra. Por favor, Cibele, não me contrarie; venha sentar-se ao meu lado. A propósito, que joia é essa que está usando?… Aproxime-se para que eu possa apreciá-la.

Cibele permaneceu onde estava e, fechando os olhos para fugir ao olhar indesejável de Florêncio, ela evocou em silêncio todo o amor que havia em seu coração para oferecer a Eliel e ao bebê. Ela se assustou e abriu os olhos quando ouviu Florêncio gritar:

– Pare! O que pensa que está fazendo?!… Não percebe que está me cegando com tanta luz?!…

Cibele sorriu ao perceber que estava imersa num mar de luz dourada. Sentiu-se tão leve que a gravidade não conseguiu mais segurá-la, e ela começou a flutuar. Cibele sorria ao se perguntar como era possível estar ali em pé, parada no ar, a um metro do chão. Aproveitando-se do assombro de Florêncio, ela declarou:

– Você estava certo quando disse que Rovena não era a minha mãe verdadeira. Eu sou metade bruxa e metade fada, e essas duas metades entrelaçadas com a ventura do verdadeiro amor rejeitam e repelem a sua afeição doentia. Amo Eliel e sou livre para escolher o meu próprio destino. Eu não estou fugindo; estou apenas comunicando a minha partida. Despeça-se de Rovena por mim e diga a ela que lhe serei eternamente grata. Cuide-se e encontre alguém que possa retribuir o seu amor voluntariamente.

Com a mão cobrindo parcialmente os olhos, Florêncio não encontrava palavras que pudessem reverter a situação a seu favor.

Cibele levantou a mão direita e, num estalar de dedos, estava na floresta. Alegremente surpresa ao verificar que era Eliel e não Tadeu quem a esperava, ela o abraçou e o beijou docemente.

Após o breve momento de enlevo, Eliel conduziu-a sem demora através da passagem. Quando chegaram ao porão, ele se afastou para contemplar o vulto de Cibele iluminado por aquela luz dourada; comentou:

– Tadeu não mentiu quando disse que a luminosidade dourada a tornava ainda mais bela.

Cibele aproveitou-se da fascinação de Eliel para confessar encabulada:

– Foram cinco.

Deliciando-se com o seu embaraço, ele exclamou:

– Cinco beijos?!… Eu imaginei que vocês tivessem se beijado apenas duas vezes!… Essa quantidade excessiva de beijos só prova uma coisa: você o ama.

Para defender-se, ela disse:

– Na verdade, foram apenas três, porque eu beijei Tadeu duas vezes pensando em você.

Ainda fingindo estar zangado, ele exclamou:

– Isso não muda nada! Por que você beijou Tadeu três vezes se é a mim que você ama?…

Entristecida, Cibele abanou a cabeça para os lados antes de murmurar:

– Talvez eu devesse parar de incentivar o amor de Tadeu.

Eliel perguntou:

– Então, você reconhece que tem uma parcela de responsabilidade nessa atenção desmedida que Tadeu dispensa a você?…

Ela confessou:

– Sim. Eu me sentiria magoada se o olhar dele expressasse indiferença. Mas aqui estamos nós de novo, emaranhados em seu ciúme!

Olhando-a fixamente, Eliel disse em tom carinhoso:

– Não é o meu ciúme que ameaça o nosso amor, e sim a sua recente descoberta. Por favor, não deixe o seu lado fada lhe subir à cabeça. Permita que eu retire essa joia e a guarde para você. Jamais pense em se afastar do meu amor porque eu não saberia viver sem você.

Eliel aproximou-se, e ela levantou o cabelo para que ele pudesse abrir o fecho da corrente e retirar aquele pingente luminoso que o deixava tão inseguro.

Liberto da angústia e do medo de perder Cibele, ele a envolveu com o seu olhar e a beijou carinhosamente.

F I M

Sisi Marques
28/09/2014

 

Querido Leitor,

Chegamos ao final do 2º livro de REALIDADE MÁGICA!… Mas a história não termina aqui. Em breve, você terá a oportunidade de iniciar a leitura do 3º livro. Conto com sua audiência!…

Grata,

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Sobre Sisi Marques

Sou apaixonada pelos personagens e pelas histórias que povoam a minha imaginação. Amo escrever, porque é através da escrita que consigo registrar os momentos maravilhosos que essas realidades mágicas me proporcionam.
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