DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XXXIV)

Quando Tadeu retornou utilizando a passagem que dava para o porão da casa de Afrânio e Anabel, foi à minha casa porque acreditou que era lá que Cibele deveria estar. Preocupou-se ao ouvir Crisélia dizer:

– Cibele é teimosa, e eu não consegui convencê-la a esperar aqui até Eliel voltar.

Tadeu, aflito, perguntou:

– Você poderia me emprestar o anel de Felizardo?

Crisélia respondeu:

– Eu não posso emprestá-lo sem o consentimento dele. É melhor você utilizar o meu. Afinal, esta não seria a primeira vez.

Crisélia entregou o anel a Tadeu e ele, agradecido, beijou-lhe o rosto e desapareceu com o semblante irradiando preocupação. Ao aparecer na sala da árvore de Eliel, Tadeu encontrou Cibele sentada na escada, chorando. Surpresa com sua visita, ela desceu e caminhou em sua direção para abraçá-lo. Perguntou:

– Onde está Eliel?!… Onde está Clara?!…

Tadeu, conduzindo-a ao sofá, disse:

– Sente-se… Precisamos conversar… Clara não está no castelo de sua mãe. Florêncio levou-a para a casa dele. Eliel foi até lá e pretende usar a magia da invisibilidade para localizá-la e trazê-la de volta. Não há nada que você ou eu possamos fazer no momento. Ele desfez a conexão entre as árvores para que você não pudesse segui-lo.

Cibele sentiu-se atordoada com a revelação de Tadeu. Imaginando que ele estivesse de posse da chave e da esfera, ela se levantou antes de dizer:

– Receio que Eliel esteja certo… Eu não devo e não quero voltar àquela dimensão. Se você soubesse como foi horrível!…

Tadeu levantou-se e abraçou-a enquanto perguntava:

– Conte-me o que aconteceu. Entre nós não há segredos.

Cibele confidenciou:

– Eu estava energizando as poções da minha mãe quando pensei ter ouvido a voz de Clara pedindo a minha ajuda. Fui ao porão e abri a porta com a minha magia. Entrei na cela para confortá-la. A porta fechou-se e, para o meu desespero, eu me vi presa em uma armadilha: não era Clara e sim Florêncio quem estava naquela cela. Ele me segurou e queria me forçar a beijá-lo. Felizmente Eliel, envolto pela magia da invisibilidade, conseguiu abrir a cela e proteger-me com o brilho intenso de sua energia. Florêncio afastou-se, e eu usei a magia do anel para conduzir-me à árvore de Eliel naquela dimensão.

Exalando preocupação, Tadeu perguntou:

– Foi por esse motivo que vocês voltaram?…

Cibele murmurou:

– Sim. Eu fiquei apavorada e tremo só de lembrar como foi terrível ter sido atraída para aquela armadilha!

Cibele, olhando nos olhos de Tadeu, começou a enrolar uma mecha de seu cabelo por entre os dedos. O seu olhar convidava-o a beijá-la, e ele, com o coração embalado pelo calor da paixão, beijou-a ternamente. Enquanto o abraçava, ela retirou uma das mãos que estava apoiada em suas costas e estendeu-a para atrair com sua magia a chave e a esfera. Ainda beijando Tadeu, ela fechou a mão para esconder parcialmente os dois preciosos objetos. Quando o beijo terminou, sentindo remorso por tê-lo beijado apenas para distraí-lo e conseguir obter a chave e a esfera, ela mergulhou em seus olhos enquanto dizia:

– Nós nunca paramos no primeiro beijo…

Cibele surpreendeu-se ao ouvi-lo comentar magoado:

– Você não conseguirá encontrar nos meus olhos o que o seu coração procura. Sou eu que estou diante de você e não Eliel.

Receando que aquela fosse a última vez que contemplaria o rosto amado de Tadeu, com a voz recoberta de ternura, ela murmurou:

– Não são os olhos de Eliel que estou buscando neste momento. Beije-me, Tadeu… Beije-me como se fosse esta a primeira e última vez.

Depois que o beijo terminou, ainda abraçada a Tadeu, ela disse:

– Sinto-me exausta. Eu gostaria de dormir um pouco; mas, sempre que fecho os olhos, assusto-me porque me vem à mente o rosto de Florêncio. Você ficaria aqui na sala enquanto eu vou para o quarto descansar?… Prometa-me que não sairá daqui, que não me deixará sozinha.

Tadeu afirmou:

– Quando você acordar, eu estarei à sua espera.

Cibele sorriu docemente e dirigiu-se ao quarto. Chegando lá, com o olhar assustado pelo temor de rever Florêncio, ela levantou a mão direita e estalou os dedos para que a sua magia a conduzisse ao porão da casa de Anabel. Afastando o tapete com sua magia, ela utilizou a esfera para descobrir o local exato onde deveria introduzir a chave. Ao girá-la, o alçapão tornou-se visível, e ela o levantou para ter acesso à escada. Após descer alguns degraus, Cibele levantou os braços para abaixar e trancar o alçapão.

FIM DO 34º CAPÍTULO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Sisi Marques
08/06/2014

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Grata,
b carimbo 1

placa 3

 

Sobre Sisi Marques

Sou apaixonada pelos personagens e pelas histórias que povoam a minha imaginação. Amo escrever, porque é através da escrita que consigo registrar os momentos maravilhosos que essas realidades mágicas me proporcionam.
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