DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XXXIII)

Na manhã seguinte, quando Eliel e Cibele foram à nossa casa, Crisélia exclamou:

– Vocês aqui?!… Por que retornaram?…

Eliel, estranhando a reação de Crisélia, comentou:

– Imaginei que fosse ficar feliz em nos ver.

Anabel e Afrânio também estavam sentados à mesa. Foi Anabel quem perguntou:

– Quando vocês voltaram?

Eliel colocou o braço ao redor dos ombros de Cibele e enviou-lhe discretamente um olhar carinhoso antes de responder:

– Chegamos ontem à tarde, mas não pudemos vir avisá-los porque estávamos exaustos e precisávamos descansar. Saindo daqui, iremos à academia conversar com Tadeu. A propósito, Ermínio conseguiu a autorização para Derlo entregar-nos a ampulheta?… Eu receio que esse seja mesmo o único meio de deter Florêncio.

Afrânio comentou:

– O Conselho teme que a animosidade entre gênios e bruxos atinja proporções catastróficas caso a ampulheta seja usada contra Florêncio. Não podemos desencadear uma guerra simplesmente porque ele insiste em perseguir Cibele.

Eliel perguntou contrariado:

– O que Derlo tem a dizer a esse respeito?… Ele roubou o cajado da outra vez para ajudar Cibele a localizar-me. Eu duvido que ele se recuse a emprestar-nos a ampulheta por alguns dias. É só o tempo de modificarmos a sua frequência para conseguirmos obrigar Florêncio a entrar na ânfora.

Afrânio disse:

– Você não prestou atenção às minhas palavras. Florêncio é um bruxo; bruxos não são aprisionados em ânforas. Se ele fosse um gênio, a ordem natural não seria subvertida.

Eliel perguntou ainda:

– Por que você não pensou nisso antes de criar aquele bracelete para armazenar a energia de Florêncio?…

Cibele disse a Eliel:

– Discutir com Afrânio não mudará o parecer dos gênios. Vá encontrar-se com Tadeu. Ficarei esperando por você na nossa árvore.

Anabel revelou:

– Não adianta Eliel ir à academia, porque Tadeu não está lá. Ele voltou à sua dimensão para libertar Clara. Ontem ele ficou de buscá-la na casa de uma amiga e, quando ele chegou lá, a amiga disse que alguém, se fazendo passar por ele, havia telefonado dizendo que mandaria um táxi apanhar Clara. Tadeu não perdeu tempo; foi à minha casa e atravessou o portal localizado no chão do porão.

Cibele, com o olhar perdido no rosto de Eliel, comentou:

– Eu não deveria ter ignorado a sua sugestão de avisarmos Tadeu sobre a nossa chegada.

Para tranquilizá-la, ele afirmou:

– Está tudo bem. Eu irei ajudá-lo. E você ficará aqui até eu retornar.

Perguntei a Eliel:

– Acredita que a magia do seu anel será suficiente para levá-lo de volta?

Ele respondeu:

– Sim. Eu consegui estabelecer uma conexão entre a minha árvore e a árvore que passei a ocupar na outra dimensão.

Eliel despediu-se e desapareceu diante dos olhos aflitos de Cibele. Após retornar à sua árvore e girar o anel confeccionado com fibras da outra árvore, ele retornou a um dos cômodos subterrâneos que sua magia edificara na outra dimensão. Ele girou o seu antigo anel e sua magia conduziu-o ao porão do castelo. Tadeu estava preso em uma das celas. Após libertá-lo com sua magia, Eliel perguntou:

– Onde está Clara?…

Ele respondeu:

– A mãe de Cibele trancou-me aqui quando eu desci para procurá-la. Ela disse que Clara está na casa de Florêncio, e apenas Cibele poderá livrá-la do destino cruel que a aguarda. Onde está Cibele?… Não podemos permitir que ela vá à casa de Florêncio. Precisamos encontrar um modo de detê-la e, ao mesmo tempo, de libertar Clara.

Eliel, colocando a mão espalmada nas costas de Tadeu, aconselhou:

– É melhor não conversarmos aqui porque não sabemos se estamos sendo observados. Feche os olhos; eu girarei o anel que confeccionei com fibras da árvore desta dimensão.

Os dois já estavam em segurança na sala da árvore quando Eliel disse:

– Embora Cibele e eu tenhamos retornado ontem para a nossa dimensão, foi só esta manhã que tomamos conhecimento do desaparecimento de Clara e, consequentemente, da sua partida.

Tadeu comentou:

– Se Cibele descobrir que Clara está na casa de Florêncio, ela não hesitará em ir até lá. Ela sabe onde ele mora, porque a mãe dela obrigou-a a acompanhá-la algumas vezes. Infelizmente eu desconheço o caminho.

Eliel disse:

– Eu não preciso saber a localização da casa de Florêncio para que a magia do meu anel me leve até lá. Você não poderá me seguir, porque eu pretendo utilizar a magia da invisibilidade para encontrar Clara. Volte para a nossa dimensão para evitar que seja apanhado novamente. Eu preciso desfazer a minha ligação com esta árvore. Esse é o único modo de impedir que Cibele utilize a conexão entre as árvores.

FIM DO 33º CAPÍTULO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Sisi Marques
12/05/2014

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Grata,

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Sobre Sisi Marques

Sou apaixonada pelos personagens e pelas histórias que povoam a minha imaginação. Amo escrever, porque é através da escrita que consigo registrar os momentos maravilhosos que essas realidades mágicas me proporcionam.
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