DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XXVIII)

Minutos depois, Eliel procurava Tadeu para perguntar:

– O que você disse a Cibele que a deixou tão zangada?!… Ela passou por mim e entrou no castelo como uma rajada de vento. Eu tentei detê-la para que pudéssemos conversar, e o seu olhar desferiu uma farpa de ódio em meu coração.

Tadeu, com o semblante contraído, respondeu:

– Eu contei a verdade.

Tadeu surpreendeu-se ao ouvi-lo dizer:

– Você contou a ela a sua versão da verdade.

Tadeu, profundamente irritado, exclamou:

– Era só o que faltava!… Não existe essa história de minha verdade, de sua verdade!… A verdade é uma só: o seu ciúme é doentio! Você criou toda uma situação imaginária e depois começou a agir como se ela fosse real. Cibele sentiu-se confusa quando procurou nos meus olhos o que viu nos seus e não conseguiu mais encontrar. O seu disfarce, embora representasse a minha aparência, não conseguiu encobrir o seu olhar. Eram os seus olhos que ela buscava e não os meus. Você pode não ter tido a intenção de nos ferir, mas foi exatamente o que fez. Cibele não conseguirá perdoá-lo e nem a mim. Eu menti a você, e ela sabe disso porque presenciou o momento em que eu escondi a chave e a esfera dentro da fronha do meu travesseiro. Se você quiser partir, vá à minha cela e apanhe a esfera. Eu continuarei aqui, ao lado de Cibele, mesmo que ela resolva cumprir a ameaça de unir-se a Florêncio só para nos punir. Infelizmente eu não posso fazer nada a respeito, porque não é pelo meu amor que Cibele anseia.

Bebendo as gotas de sinceridade que os olhos de Tadeu desprendiam, Eliel confessou:

– Eu não sei o que fazer!… Eu me sinto impotente nesta dimensão!… Florêncio é desprovido de escrúpulo e não hesitaria em trazer Clara para esta dimensão para obrigar Cibele a permanecer aqui. Eu não sei como lidar com a situação… Como poderíamos neutralizar a ação de um ser tão desprezível?!… Utilizar a ampulheta para confiná-lo naquela ânfora seria apenas adiar o problema, porque certamente a sua astúcia encontraria um meio de libertá-lo.

Tadeu sugeriu:

– Ouça o que faremos: você readquire a minha aparência enquanto eu volto para saber se Erminio obteve permissão para retirar a ampulheta do Coração das Fontes da Juventude. Se a permissão tiver sido concedida, eu entregarei o bracelete a Afrânio ou ao próprio Derlo para que, através da amostra da energia de Florêncio, a frequência possa ser modificada para atingi-lo. Eu voltarei, e escolheremos o momento oportuno para levantar a ampulheta e permitir que o escoamento da areia provoque o som intolerável que o fará contorcer-se e encolher para buscar refúgio na ânfora. Livres da ação nefasta de Florêncio, os nossos problemas terminam, e voltamos à nossa própria dimensão.

Os dois continuaram conversando durante mais alguns minutos e sobressaltaram-se quando Cibele apareceu inesperadamente para dizer:

– O que pensam que estão fazendo?!… Já deveriam estar bem longe daqui. A minha mãe retornou nervosa da casa de uma amiga e está soltando fumaça pelas narinas. Ela tentará descontar toda a raiva em vocês.

Cibele levantou a mão direita e estalou os dedos para que os pedaços de papel picado voltassem a compor a lista. Apavorando-se pelo pouco tempo que restava para que a sua mãe aparecesse, ela exclamou:

– É inútil! A minha magia não dará conta de providenciar tudo!

Ainda assim, Cibele empenhava-se em cumprir a primeira das tarefas que era retirar vários baldes de água do poço. Ela estalava os dedos continuamente, e os baldes repletos de água enfileiravam-se. Eliel, impacientando-se com o esforço que ela empregava desnecessariamente, estendeu a mão enquanto dizia:

– Dê-me essa lista para que eu possa verificar o que falta.

Cibele passou a lista a Eliel e surpreendeu-se ao vê-lo finalizar as tarefas num piscar de olhos. Ela não teve tempo de agradecer, porque sua mãe surgiu como um raio, reclamando:

– Conversa, conversa!… Só estão aqui para conversar!… Mas vejo que estiveram trabalhando também!… A quantidade de água é suficiente… Coletaram as ervas certas… As folhas estão verdes e frescas… Os legumes estão maduros… Até a grama foi aparada. Como fizeram tudo isso em tão pouco tempo?…

Cibele apressou-se em dizer:

– Eu ajudei! Eu já lhe disse que tenho me empenhado em aprimorar a minha magia.

Esquadrinhando o rosto de Eliel, a mãe de Cibele exclamou:

– Sei, sei!… Conte outra!… Bem, mas não temos tempo a perder…

Dirigindo-se a Tadeu e Eliel, a mãe de Cibele ordenou:

– Levem tudo isso para dentro porque estou com muita pressa. Vamos logo!… Mexam-se!

Depois, endereçando um olhar de reprovação a Cibele, ela comentou:

– Não fica bem você, noiva de Florêncio, ficar se desmanchando em sorrisos e gentilezas para esses dois imprestáveis. Todos estão comentando o seu futuro casamento com Florêncio, e você está atraindo a inveja e a admiração de muita gente. É por esse motivo que tem que zelar por sua reputação que, aliás, já foi manchada quando você se uniu a esse elfo! Mas isso é passado, e logo todos já terão esquecido. A propósito, arrume-se para o jantar e use o anel que Florêncio lhe deu. Ele se queixou de que você fez pouco do presente.

Cibele permaneceu calada, e sua mãe perguntou a Eliel e Tadeu:

– O que ainda estão fazendo aí, seus molengas?!… Querem conversar e ficar ouvindo a conversa alheia?!… Pois bem, esta noite, para que Florêncio possa jantar sozinho com Cibele, eu os levarei à casa de uma de minhas amigas para que sirvam como criados. Lá haverá conversa de sobra para escutarem. Agora, mexam-se!

FIM DO 28º CAPÍTULO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Sisi Marques
31/03/2014

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Grata,

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Que os seus sonhos se realizem!

Sobre Sisi Marques

Sou apaixonada pelos personagens e pelas histórias que povoam a minha imaginação. Amo escrever, porque é através da escrita que consigo registrar os momentos maravilhosos que essas realidades mágicas me proporcionam.
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