LIVRO 1 – REALIDADE MÁGICA (4ª Parte)

 Cibele Perfil

LIVRO 1 – REALIDADE MÁGICA (4ª Parte): CIBELE

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LIVRO 1 – REALIDADE MÁGICA (3ª Parte)

C Felizardo

LIVRO 1 – REALIDADE MÁGICA (3ª Parte): ENCONTROS E REENCONTROS

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O CARNAVAL DO REENCONTRO

Lina era uma fada que acreditava no amor e havia entregado o seu coração a Marcel, um jovem elfo. Mas o senhor dos destinos os separou, porque eles se devotaram única e exclusivamente ao amor que sentiam e se esqueceram de suas responsabilidades em relação aos lugares paradisíacos que juraram proteger.

Obedecendo ao comando do senhor dos destinos, os ventos sopraram e provocaram uma tormenta. Lina e Marcel foram surpreendidos pela tempestade e não tiveram tempo de buscar refúgio. Eles se abraçaram para evitarem a separação, mas a força dos ventos era terrível e os elevou ao céu. O afetuoso abraço foi rompido, quando cada um deles se viu preso em um redemoinho, e foram conduzidos para direções opostas. Enquanto eles se afastavam, com os braços estendidos e a visão embaçada pelas lágrimas, eles ouviram o som de uma voz que estrondava no ar: “Lina e Marcel, a sua insensatez os afastou de seus destinos e os conduzirá a caminhos tortuosos. É verdade: o que vocês chamam de amor, eu rotulo de insensatez. Eu não posso forçá-los a recobrarem a razão, mas posso evitar que se reencontrem. Contudo, se a teimosia de vocês for maior do que a prudência, apenas no mundo dos humanos vocês poderão se unir novamente.”

Anos e anos se passaram, e a saudade dilacerava aqueles dois corações apaixonados. Era sempre a mesma pergunta que os assombrava: “Como poderemos nos reencontrar no mundo dos humanos, se eles se assustariam com a nossa presença?!” Certo dia, porém, Lina teve a oportunidade de se aproximar de um local onde as pessoas se vestiam com roupas extravagantes e coloridas. Era carnaval. Os rostos se escondiam atrás de máscaras, e a alegria parecia substituir a estranheza. Lina pensou: “Estão todos se divertindo tanto que nem terão tempo de notar a minha presença.”

Lina encorajou-se a entrar no salão onde as pessoas fantasiadas cantavam e dançavam alegremente. O coração de Lina disparou quando os seus olhos esbarraram em um elfo solitário que também tivera a ideia de se reunir àquela multidão. Lina sorriu e foi ao encontro de Marcel.

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LIVRO 1 – REALIDADE MÁGICA (2ª Parte)

R Eliel

LIVRO 1 – REALIDADE MÁGICA (2ª Parte): O MÁGICO

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LIVRO 1 – REALIDADE MÁGICA (1ª Parte)

R FelizardoREALIDADE MÁGICA LIVRO 1

Queridos Leitores,

Aqui estão os links que os conduzirão à 1ª Parte (O CONTADOR DE HISTÓRIAS):

Capítulo I
http://realidademagicadesisimarques.blogspot.com.br/…/livro…

Capítulo II
http://realidademagicadesisimarques.blogspot.com.br/…/livro…

Capítulo III
http://realidademagicadesisimarques.blogspot.com.br/…/livro…

Capítulo IV
http://realidademagicadesisimarques.blogspot.com.br/…/livro…

Capítulo V
http://realidademagicadesisimarques.blogspot.com.br/…/livro…

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O CARNAVAL DO LIXO

Carnaval do Lixo SisiO proprietário do circo, que ficava instalado no centro de um grande terreno localizado ao lado da praça, orgulhava-se dos glamorosos desfiles que ele organizava para o carnaval.

Apenas os animais permaneciam no circo nessa data. O dono do circo, elegantemente vestido, caminhava na frente, acompanhado dos artistas, dos funcionários e da banda, nada afinada, mas impecavelmente uniformizada.

Os foliões se aglomeravam para assistir àquele espetáculo que lhes era oferecido gratuitamente, em agradecimento à acolhida e à audiência que o circo sempre recebera.

O desfile do circo já havia se tornado uma tradição, e ninguém conseguiria imaginar o carnaval sem a beleza, a alegria e a descontração que aquele grupo proporcionava. Mas houve um ano em que os habitantes daquela cidade ficaram profundamente descontentes com a “brincadeira de mau gosto” que presenciaram. O dono do circo havia se fantasiado de palhaço e trazia um tubo de papelão ao redor de seu corpo, simbolizando uma lata de lixo. Os artistas e funcionários também caminhavam como se estivessem dentro de uma lata de lixo, usando fantasias que causaram nojo até mesmo nas crianças. Os homens se vestiram de rato, e as mulheres de barata. A banda também não parecia a mesma de outros carnavais: o maestro e os músicos dispensaram os uniformes e vestiram-se com roupas velhas, sujas e rasgadas. As alegres marchinhas de carnaval também foram substituídas por marchas fúnebres.

A indignação apoderou-se de várias pessoas, gerando vaias e gritos de protesto. Na metade do trajeto, o dono do circo interrompeu o desfile e fez um sinal para que todos ouvissem o que ele tinha a dizer: “Cidadãos de Ruas Limpas, aposto que vocês sentem orgulho do nome de sua cidade!… As ruas desta cidade, realmente, causariam inveja às cidades vizinhas!… Infelizmente, eu e os funcionários do meu circo não podemos nos orgulhar do espaço ao redor do nosso local de trabalho, porque é lá que vocês depositam o seu lixo, e nós, atualmente, estamos sendo forçados a conviver com ratos e baratas!… Se o espetáculo que presenciaram hoje ofendeu sua visão, conscientizem-se da necessidade de não jogarem o seu lixo na propriedade dos outros para que, no próximo ano, possamos lhes oferecer uma apresentação mais agradável.”

Quando o dono do circo encerrou o seu discurso, ele e sua equipe não se dirigiram à praça para se divertirem com os foliões. Em vez disso, eles retornaram ao circo. No carnaval do ano seguinte e em todos os carnavais depois daquele, os desfiles planejados para os habitantes de Ruas Limpas voltaram a ser glamorosos e inesquecíveis.

 

Carnaval do Lixo 2 Sisi

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DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XLII)

Na manhã seguinte, Cibele sentia-se insegura em relação ao que deveria fazer para libertar-se da insistência de Florêncio. O uso do pingente conferia-lhe um brilho todo especial, que desapareceria se ele a obrigasse a tirá-lo. Lembrava-se dos beijos que ofertara a Tadeu e se lamentava por terem sido tão poucos. Lembrava-se de Eliel, e o seu coração se desfazia em lágrimas. Jurou a si mesma que jamais pertenceria a Florêncio. Se nem mesmo a atração que ela sentia por Tadeu foi forte o bastante para levá-la a trair o amor que devotava a Eliel, como poderia permitir-se ceder aos caprichos de um bruxo de mente e coração enfermos?!… Não!… Definitivamente, não. Ela precisava desvencilhar-se daquela situação insana. Cibele revestiu-se de coragem e, após respirar profundamente, desceu as escadas e sentou-se à mesa na extremidade oposta a Florêncio. Ele comentou:

– Esta mesa é longa demais para que eu me sente em uma ponta, e você na outra. Por favor, Cibele, não me contrarie; venha sentar-se ao meu lado. A propósito, que joia é essa que está usando?… Aproxime-se para que eu possa apreciá-la.

Cibele permaneceu onde estava e, fechando os olhos para fugir ao olhar indesejável de Florêncio, ela evocou em silêncio todo o amor que havia em seu coração para oferecer a Eliel e ao bebê. Ela se assustou e abriu os olhos quando ouviu Florêncio gritar:

– Pare! O que pensa que está fazendo?!… Não percebe que está me cegando com tanta luz?!…

Cibele sorriu ao perceber que estava imersa num mar de luz dourada. Sentiu-se tão leve que a gravidade não conseguiu mais segurá-la, e ela começou a flutuar. Cibele sorria ao se perguntar como era possível estar ali em pé, parada no ar, a um metro do chão. Aproveitando-se do assombro de Florêncio, ela declarou:

– Você estava certo quando disse que Rovena não era a minha mãe verdadeira. Eu sou metade bruxa e metade fada, e essas duas metades entrelaçadas com a ventura do verdadeiro amor rejeitam e repelem a sua afeição doentia. Amo Eliel e sou livre para escolher o meu próprio destino. Eu não estou fugindo; estou apenas comunicando a minha partida. Despeça-se de Rovena por mim e diga a ela que lhe serei eternamente grata. Cuide-se e encontre alguém que possa retribuir o seu amor voluntariamente.

Com a mão cobrindo parcialmente os olhos, Florêncio não encontrava palavras que pudessem reverter a situação a seu favor.

Cibele levantou a mão direita e, num estalar de dedos, estava na floresta. Alegremente surpresa ao verificar que era Eliel e não Tadeu quem a esperava, ela o abraçou e o beijou docemente.

Após o breve momento de enlevo, Eliel conduziu-a sem demora através da passagem. Quando chegaram ao porão, ele se afastou para contemplar o vulto de Cibele iluminado por aquela luz dourada; comentou:

– Tadeu não mentiu quando disse que a luminosidade dourada a tornava ainda mais bela.

Cibele aproveitou-se da fascinação de Eliel para confessar encabulada:

– Foram cinco.

Deliciando-se com o seu embaraço, ele exclamou:

– Cinco beijos?!… Eu imaginei que vocês tivessem se beijado apenas duas vezes!… Essa quantidade excessiva de beijos só prova uma coisa: você o ama.

Para defender-se, ela disse:

– Na verdade, foram apenas três, porque eu beijei Tadeu duas vezes pensando em você.

Ainda fingindo estar zangado, ele exclamou:

– Isso não muda nada! Por que você beijou Tadeu três vezes se é a mim que você ama?…

Entristecida, Cibele abanou a cabeça para os lados antes de murmurar:

– Talvez eu devesse parar de incentivar o amor de Tadeu.

Eliel perguntou:

– Então, você reconhece que tem uma parcela de responsabilidade nessa atenção desmedida que Tadeu dispensa a você?…

Ela confessou:

– Sim. Eu me sentiria magoada se o olhar dele expressasse indiferença. Mas aqui estamos nós de novo, emaranhados em seu ciúme!

Olhando-a fixamente, Eliel disse em tom carinhoso:

– Não é o meu ciúme que ameaça o nosso amor, e sim a sua recente descoberta. Por favor, não deixe o seu lado fada lhe subir à cabeça. Permita que eu retire essa joia e a guarde para você. Jamais pense em se afastar do meu amor porque eu não saberia viver sem você.

Eliel aproximou-se, e ela levantou o cabelo para que ele pudesse abrir o fecho da corrente e retirar aquele pingente luminoso que o deixava tão inseguro.

Liberto da angústia e do medo de perder Cibele, ele a envolveu com o seu olhar e a beijou carinhosamente.

F I M

Sisi Marques
28/09/2014

 

Querido Leitor,

Chegamos ao final do 2º livro de REALIDADE MÁGICA!… Mas a história não termina aqui. Em breve, você terá a oportunidade de iniciar a leitura do 3º livro. Conto com sua audiência!…

Grata,

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Publicado em DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (LIVRO 2 - PARTE 4) | Deixar um comentário

DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XLI)

Cerca de meia hora depois, Tadeu apareceu no quarto que Cibele ocupava na casa de Florêncio. Ela não o viu chegar porque estava deitada de bruços. Ele disse suavemente para não assustá-la:

– Não chore… Tudo ficará bem.

Cibele, sobressaltada, levantou-se rapidamente e, enquanto afastava as lágrimas com as mãos, caminhou em direção à porta. Exclamou:

– Boa tentativa, Florêncio!… Contudo, desta vez, você não conseguirá me enganar. Saia do meu quarto agora mesmo.

Tadeu afirmou:

– Sou eu, Cibele. Se Florêncio quisesse enganá-la, assumiria a aparência de Eliel, e não a minha.

Cibele, acreditando mesmo tratar-se de Florêncio, exclamou:

– Você já se fez passar por Clara!… Por que não se passaria por Tadeu se sabe que eu também o amo e me sinto atraída por ele?…

Contemplando o olhar assustado de Cibele, Tadeu perguntou em tom carinhoso:

– Isso é mesmo verdade?!…

Cibele permitiu-se mergulhar nos olhos do homem que via à sua frente e, reencontrando neles o olhar apaixonado de Tadeu, correu para abraçá-lo. Após um momento de ternura e contemplação silenciosa, eles fecharam os olhos para que os seus lábios pudessem se tocar. Quando o beijo terminou, ainda abraçada a Tadeu, ela murmurou:

– Você não imagina o quanto eu ansiei por esse beijo. Eu pensei que nunca mais fosse vê-lo! Como está Eliel?… Ele conseguiu se recuperar daquele feitiço que Florêncio lançou contra ele?…

Tadeu respondeu:

– Sim. Ele tentou retornar, mas o feitiço ao redor da casa não permite que ele se aproxime. A propósito, preciso beijá-la novamente… Mas, desta vez, estarei sendo um simples mensageiro: Eliel pediu-me que a beijasse em seu lugar e dissesse que ele a ama. Você aceita ou recusa o beijo?

Cibele murmurou sorrindo:

– Eu aceito se você não se importar que eu o beije pensando em Eliel.

Tadeu, com o coração palpitando de amor por Cibele, exclamou:

– É essa a ideia!

Permitindo-se mergulhar novamente nos olhos de Tadeu, Cibele confidenciou:

– O seu olhar expressa tanto carinho e ternura que eu poderia jurar que estou diante dos olhos dele. Beije-me, Tadeu. Ajude-me a criar a ilusão de estar beijando Eliel.

Coberto por uma onda de amor eterno, Tadeu beijou Cibele como nunca se permitira beijá-la antes. E beijou-a novamente para acalmar a tristeza que se apoderou dela quando pensou que aquele seria o último beijo que ofertaria a Eliel.

Confortando-a em seu abraço, Tadeu disse:

– Pare de chorar, porque eu não vim aqui só para beijá-la e torturar ainda mais o seu coraçãozinho.

Cibele interrompeu-o para dizer:

– Os seus beijos são um doce lenitivo. O que me atormenta e me faz perder o gosto pela vida é a saudade que sinto de Eliel e a perspectiva de unir-me a Florêncio. Eu não deveria ter ingerido a água da Fonte da Juventude, porque viver ao lado dele eternamente será um verdadeiro suplício. Como posso conformar-me a uma vida de desamor, depois de ter mergulhado em seus olhos e nos olhos de Eliel?!… Eu prefiro morrer, Tadeu. Deve existir algum modo de anular o efeito da água da Fonte da Juventude. Se houver, certamente deverá estar escrito em um dos manuais de magia de Florêncio, e eu hei de encontrá-lo.

Ele a repreendeu ternamente:

– Eu vim lhe trazer esperança e a proíbo de pensar assim. Esta joia foi materializada na árvore de Eliel pela luz dourada, que se irradiou do seu espelho enquanto pensávamos em você.

Intrigada, Cibele estendeu a mão para segurar a corrente, e Tadeu, arrebatado por uma emoção indescritível, ajoelhou-se quando um vulto feminino surgiu ao lado dela. O quarto parecia imerso num oceano de luz dourada, e Tadeu sentiu-se impuro ao contemplar a beleza transcendente e singela daquelas duas fadas.

Deliciando-se com a expressão abobalhada no rosto de Tadeu, a mulher que apareceu ao lado de Cibele disse:

– Levante-se, Tadeu. Esta é a sua recompensa por ter sido sempre tão verdadeiro em seu amor por Cibele. Você a está contemplando em sua aparência real. Ela é metade bruxa e metade fada, e o seu lado fada agigantou-se em relação à outra metade.

Retirando delicadamente a joia da mão de Cibele, a fada disse:

– Deixe-me colocá-la para você.

Confusa, Cibele perguntou:

– Quem é você?…

Ela respondeu ternamente:

– Sou Ciana, sua mãe.

Envolvendo Cibele com o seu olhar terno e delicado, Ciana convidou-a a sentar-se na beira da cama e, após sentar-se ao seu lado, ela confidenciou:

– O seu pai e eu nos conhecemos acidentalmente e nos apaixonamos. Ele não fazia ideia de que um dos portais que descobrira com o uso da esfera e da chave lhe permitiria o acesso à dimensão das fadas. Inadvertidamente, estabelecemos uma ponte entre as duas dimensões e nos entregamos a um amor impossível. Quando você nasceu, eu a chamei de Cibele e lhe entreguei o espelho que havia sido um presente da minha mãe. O seu pai pediu-me que ficasse morando com ele em seu castelo, mas a minha natureza era livre demais para permitir que eu me acorrentasse àquele compromisso. E o mesmo acontecerá a você. Venha comigo para que você possa contemplar o oceano de maravilhas e possibilidades que a dimensão das fadas tem a lhe oferecer. A propósito, não foi a magia de Florêncio que retirou o unicórnio da nossa dimensão e o trouxe para a árvore de Eliel. Foi você quem desejou obtê-lo tão intensamente que o atraiu por um direito natural. Aquele mesmo unicórnio poderá ser seu, e a realização do seu desejo de ser conduzida em seu voo a terras paradisíacas é uma das delícias que a aguardam.

Cibele afirmou:

– O meu único desejo é poder voltar para Eliel. Ajude-me a me livrar da obsessão de Florêncio, e eu lhe serei eternamente grata.

Após beijar a testa de Cibele, sua mãe disse:

– Despeça-se de Tadeu e deixe-o ir. Amanhã, durante a primeira refeição do dia, com o coração transbordando de amor por Eliel, ostente a joia que lhe ofertei.

Ciana abraçou Cibele e desapareceu tão suavemente quanto chegara.

Tadeu, contemplando o leve brilho dourado ao redor de Cibele, disse:

– Eu nunca mais me atreverei a tocá-la.

Cibele exclamou:

– Não seja bobo! Deseje-me sorte através de um último beijo. E diga a Eliel que eu logo estarei na nossa árvore.

Tadeu sorriu e beijou Cibele.

Após beijá-la, com o semblante mesclado de contentamento e preocupação, ele perguntou:

– Se eu for embora utilizando a esfera e a chave, como você poderá retornar?…

Ela disse:

– Amanhã bem cedo, espere-me na floresta. Diga a Eliel que eu também o amo e estou morrendo de saudade. Agora vá.

Tadeu, embora soubesse que deveria partir imediatamente, não conseguia desprender o olhar do rosto de Cibele. Amava-a, amava-a de todo o coração e compreendeu que aquela seria mesmo a última vez que se permitiria beijá-la.

Cibele, parecendo ler os seus pensamentos, envolveu-o com sua meiguice e aceitou com o coração aberto o último beijo de amor de Tadeu.

Sisi Marques
22/09/2014

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA O ÚLTIMO CAPÍTULO DO SEGUNDO LIVRO DE “REALIDADE MÁGICA”.

Grata,
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DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XL)

Quando Tadeu foi encontrar-se com Eliel, ele disse:

– Perdoe-me por ter vindo tão tarde. Se eu soubesse que você desejava falar comigo, eu teria voltado da academia bem antes.

Eliel confidenciou:

– Não se preocupe com o horário… Eu nem deito porque sei que não conseguiria dormir. Enquanto eu o esperava, algo extraordinário aconteceu. Eu estava segurando o espelho de Cibele e, sem querer, molhei a sua superfície com as minhas lágrimas… Inexplicavelmente, um brilho dourado surgiu e contornou a superfície do espelho como se fosse uma bolinha saltando. O brilho, porém, logo desapareceu. Eu tenho a certeza de que não foi a minha magia e nem a magia de Cibele que provocou o fenômeno. Era algo mais sutil e transcendente. Eu nunca vi nada igual!

Contemplando o rosto abatido de Tadeu, Eliel perguntou:

– Como você está?

Ele respondeu:

– Eu me sinto péssimo e não sei disfarçar. Clara se aborrece e, para evitar discussões, eu acabo indo à academia. Agradeço-lhe por ter me convidado a vir aqui. Na sua presença, eu me sinto mais próximo de Cibele.

Eliel sorriu tristemente antes de confessar:

– Foi por esse mesmo motivo que o convidei a partilhar a minha desventura: você é a lembrança viva de Cibele. Ouça, essa foi a última vez que você utilizou a magia do anel de Felizardo; aqui está um anel feito exclusivamente para você. Venha visitar-me sempre que sentir necessidade de desabafar.

Apenas o olhar de Tadeu conseguiu agradecer, porque os seus lábios não encontravam palavras. Ele ficou ainda mais comovido quando ouviu Eliel dizer:

– Eu preciso da sua ajuda em um experimento. Eu tenho a certeza de que você conseguiria ajudar-me a sustentar a magia daquele brilho por um período maior de tempo.

Sentado ao lado de Eliel no sofá, Tadeu perguntou:

– O que você espera que eu faça?

Eliel respondeu:

– Pense em Cibele e permita que o amor que você sente por ela irradie do seu coração em toda a sua amplitude enquanto seguramos a haste do espelho.

Tadeu, balançando a cabeça para os lados, expressou sua relutância quando disse:

– Não, Eliel!… Eu sinto muito, mas não dará certo. Você é o marido de Cibele, e eu não posso me permitir chorar, na sua frente, por estar pensando nela. Esse sentimento é muito íntimo para ser compartilhado.

Sem alterar o tom de voz, Eliel sugeriu:

– Faça de conta que eu não estou aqui, porque eu farei o mesmo em relação a você. Esqueça a nossa rivalidade, esqueça o meu ciúme e expresse na cor azul a imensidão do seu amor. Não existe magia maior do que o amor verdadeiro. Não reprima as lágrimas. Ao contrário, permita que elas caiam sobre a superfície do espelho para que o milagre aconteça. Acalente em seu coração a esperança de ver o rosto de Cibele refletido no espelho. Você e eu somos os dois grandes amores de Cibele, e o pulsar dos nossos corações em uníssono representará o seu próprio coração. Duas metades separadas se unindo para devolver ao coração de Cibele a sua inteireza e a sua invulnerabilidade.

Eliel fingiu não notar as lágrimas que já começavam a correr livres sobre o rosto de Tadeu. Ele também emudeceu para se permitir ouvir a voz do próprio coração. Os dois seguraram a haste do espelho e deixaram, propositadamente, as lágrimas que transbordavam de seus olhos tocarem a sua superfície. Minutos depois, ambos sobressaltaram-se com a fulgurante luz dourada que estendeu seus raios a partir do espelho e inundou o interior da árvore. Involuntariamente, Eliel e Tadeu fecharam os olhos para protegê-los do brilho excessivo. Logo, porém, a claridade dissipou-se, e eles, decepcionados, contemplaram a face inerte do espelho.

Tadeu comentou:

– Clara deve estar preocupada com a minha demora; é melhor eu ir.

Ao levantar-se do sofá, no entanto, os olhos de Tadeu esbarraram em algo que ele não havia notado anteriormente. Intrigado, perguntou:

– Essa joia já estava sobre a mesinha quando cheguei?… Eu não me lembro de tê-la visto.

Eliel, ainda mais perplexo, disse:

– O seu brilho dourado se assemelha à luminosidade que se irradiou do espelho. Pensamos que o nosso experimento tivesse fracassado porque não vimos o reflexo do rosto de Cibele, mas algo ainda mais surpreendente aconteceu… Talvez essa joia possa nos ajudar a trazê-la de volta. Precisamos fazer com que Cibele a receba e a use.

Tadeu concordou:

– Você deve estar certo. Ela é tão delicada e preciosa que eu tenho até receio de tocá-la.

Eliel apanhou a corrente enquanto dizia:

– Segure-a… Ela é real e não irá se desfazer se você tocá-la. Você terá que entregá-la a Cibele porque eu não consigo ter acesso à casa de Florêncio.

Tadeu, decidido, disse:

– Só preciso passar na casa de Felizardo para apanhar a chave e a esfera no meu quarto. Você acredita que o anel que me entregou hoje conseguirá transportar-me da floresta até a casa de Florêncio?

Eliel respondeu:

– Eu acredito que sim. Além do anel e do seu amor por Cibele, você ainda tem essa preciosidade em suas mãos. Veja como o pingente no formato de coração brilha quando você o toca. Ele também brilhou quando o toquei. Talvez Florêncio não consiga aproximar-se dele. Cibele deve ser protegida por alguma fada. Mas como isso é possível se ela é uma bruxa?!…

Tadeu exclamou irradiando otimismo:

– Não importa!… Presente é presente, e a joia só pode ter sido destinada a ela. Lembre-se de que foi o amor que sentimos por Cibele, iluminado e aquecido por aquela luz, que motivou a materialização. Deseje-me sorte.

Eliel, com o coração renovado pela esperança, abraçou-o dizendo:

– Vença a distância até a casa de Florêncio. Encontre Cibele e beije-a. Beije-a duas vezes: uma por você; e a outra por mim, e diga que eu a amo.

Tadeu, emocionado, sorriu e, girando o anel que ganhara de Eliel, desapareceu confiante.

Sisi Marques
27/08/2014

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Grata,

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Publicado em DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (LIVRO 2 - PARTE 4) | 3 comentários

DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (Capítulo XXXIX)

Eliel já estava afastado de Cibele há uma semana. Em sua árvore, sentado no sofá, ele mantinha os cotovelos apoiados sobre os joelhos e o rosto escondido entre as mãos. Não sentia vontade de deixar a árvore e não tinha desejo de permanecer ali. Cansado de tanto chorar, ele se levantou, girou o anel e foi à minha casa procurar Tadeu. Comentei:

– Ele passa a maior parte do tempo na academia para evitar que Clara perceba o seu nervosismo demasiado em relação à ausência de Cibele. E você, nesta última semana, faltou a todas as suas apresentações na biblioteca. Você não pode se fechar para o mundo. Afinal de contas, a vida continua!…

Com os olhos úmidos, ele exclamou:

– Não para mim!… Eu me sinto o ser mais infeliz de todas as dimensões!… E o mais inacreditável foi eu ter vindo buscar conforto na amizade de Tadeu.

Sensibilizado com o seu sofrimento, perguntei:

– Você deseja que eu entregue definitivamente o meu anel a Tadeu? Ele fica sempre constrangido em pedi-lo.

Eliel disse:

– Está aí uma boa ideia: eu providenciarei um anel para ele. Cibele ficaria feliz com esse gesto de amizade. Faça-me um favor: quando Tadeu voltar da academia, empreste a ele o seu anel pela última vez e peça-lhe para encontrar-me na árvore. Cuide-se, Felizardo, e dê lembranças minhas a Crisélia.

Com o olhar envolto em uma tristeza sem fim, Eliel desapareceu.

Sisi Marques
04/08/2014

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA PARTE 4 (DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS) DE “REALIDADE MÁGICA – LIVRO 2”.

Grata,

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Publicado em DE VOLTA À DIMENSÃO DAS BRUXAS (LIVRO 2 - PARTE 4) | Deixar um comentário